terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Saudosismo de verão.

Tenho lido nas últimas semanas vários textos e crônicas sobre os verões passados. Normalmente esse tipo de texto é escrito por pessoas mais velhas, de outras gerações, logo, é comum encontrar uma overdose de saudosismo. Acabo de ler um texto de autoria do dono da Richards (grife carioca) sobre sua infância e adolescência na Ipanema dos anos 60 e 70, por isso decidi sair em defesa da minha geração, da Ipanema dos anos 80, 90 e 2000, dos meus verões.
É verdade que o cenário atual é muito diferente do que se encontrava nos tempos áureos do bairro, mas dar todo o crédito para o passado é, no mínimo, desmerecer o presente e desacreditar o futuro – nem sempre a tendência é piorar.
Não temos mais filósofos e surfistas libertários no Arpoador como antigamente, as praias estão mais cheias, as ruas bem mais sujas e o comércio anda pesando a mão no preço dos produtos; Sejam os restaurantes, as lojas de roupa (Richards é coisa de gente desequilibrada) ou até mesmo o básico cinema de sábado à noite. Ainda assim o verão carioca não perdeu seu equilíbrio e charme - sobretudo em Ipanema, a autora do verão na zona sul do Rio; Copacabana e Leblon que me perdoem, mas o auge sempre ficou em Ipanema, sobretudo nos revolucionários anos 70.
Perguntam onde foi parar o píer da Farme de Amoedo, a Sorveteria Moraes (que era do avô de um de meus primos, aliás), os Cinemas a cada esquina e os picolés muito baratos... Em contramão, questiono: e nos tempos passados onde estava a Yogoberry? Ela é excelente para um dia quente. As sorveterias Itália, onde os sabores são maravilhosos, ainda prevalecem e não se abalaram com o passar dos anos. O Shopping Leblon foi uma bela surpresa; mesmo que dedicado a um público endinheirado, tem um “que” de família, de Bossa Nova. As Temakerias são uma verdadeira benção - uma vez que era caríssimo saborear qualquer opção da culinária japonesa nessa cidade (ainda que seus produtos tenham procedência oriental duvidosa) - e agora temos os Kebabs (culinária árabe) que tardaram, mas chegaram para ficar.
O passado nostálgico tem sempre destaque por seu charme natural... os tempos áureos... O mundo está em constante e eterno movimento, o tempo passa e o presente se torna passado e assim são levados os quadros que guardamos na memória com tanto carinho. 
Dos meus verões? As praias cheias, os sorvetes caros, o pôr-do-sol do Arpoador, os passeios agradáveis dentro do Shopping Leblon, os lanchinhos na Yogoberry e no Koni, os músicos que juntam trocados nas esquinas, os sorvetes Itália e os doces da Chaika (atemporal), a novidade do Metrô Rio em Ipanema - que antes ameaçava nosso balneário, mas mostrou-se mais do que útil para aqueles que odeiam engarrafamentos e lentidão no tráfico (se têm os que vem, existem também aqueles que vão)... Meus verões brilham tanto quanto os do passado, só que com a vantagem de serem embalados por músicas ouvidas no iPod e não no radinho de pilha.

Útero. 




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