terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Teu inferno.

Na escuridão dos olhos fechados, pode-se ver o sorriso daquele cujo nome não deve ser pronunciado. Sorriso maroto, encantador... perigoso... dentes grandes, lábios grossos, adornados por dois olhos enormes, bem abertos e com longos cílios.
Ele espreita, espera a hora certa, espera a guarda ser baixada e, quando vê a chance, ataca. O ataque é sorrateiro, sutil e certeiro; direto àquele ponto. É, aquele mesmo... Aquele que te faz estremecer da cabeça aos pés, causa do temido arrepio na espinha. Logo, cai de boca na maior fraqueza e faz dela o teu inferno.
O segredinho sujo que não se consegue esconder, a traição furtiva naquele acidente do destino, o beijo que não devia ser dado, o toque que não se devia conhecer, o sentimento mais sinistro, egoísta e destruidor de sua presa.
Então ele ri. Ri, ri e ri, cada vez mais alto. Alcançou-te pelo pecado e derrubou-te pela fraqueza. Dança sobre suas costas e sapateia em suas costelas.
Não há como derrotá-lo; ele está em todos aqueles que vivem. Os mortos? Não. O que poderia fazer com os mortos? Queimá-los num inferno pela eternidade? Sabe que pode muito bem causar maior sofrimento no curto período da vida humana. Ele não é besta, sabe que a dor da queimadura não é pior que a angústia de uma alma atormentada pelas próprias escolhas. E a culpa? A culpa é sua.



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