terça-feira, 30 de março de 2010

Franqueza como fraqueza, antipatia por sinceridade.

- Gostou do meu texto?
- Faltou paixão nele.

Ah, o sincero. Sempre pronto a dizer o que pensa, doa a quem doer. Não esconde sua opinião e não se censura por dizer aquilo, seja para quem for. Retaliações? São para os fracos apenas. O irônico é que os sinceros são justamente os mais mal-compreendidos, sempre.
A dificuldade das pessoas em expressar com clareza aquilo que sentem, acreditam ou tem por certo complica a vida de qualquer sincero. Eles nunca estão preparados para sofrer as consequências de sua franqueza e quando, e se, estão, sempre acabam rotulados como verdadeiros chatos, ou o mais comum, os "do contra". Porque, sim, ser sincero hoje em dia é praticamente ser do contra o tempo inteiro.
Se sua opinião bate com a da maioria, parabéns, você é esclarecido e antenado com o mundo à sua volta. Se não bate, apontam-se os indicadores, miram os olhares de reprovação e, por fim, a chuva de críticas: você é um imbecil. E pode se tornar um imbecil por opiniões das mais diversas naturezas; Gosto musical, gosto pela moda, gosto pelo cinema, posição política, posição sexual... A sinceridade muito tem a ver com limites. Cada um com o seu, mas os mais confortáveis sempre integram a temida "grande massa". Ninguém gosta de quem pensa diferente, é feio ser diferente.
Em contraponto, quase todos os sinceros cometem o mesmo erro, um muito clichê por sinal: são tão espontâneos, tão claros, que tendem a levar a própria opinião como verdade absoluta. Não, não.
Existem também aqueles que adoram a qualificação de "sincero", logo, buscam sempre pensar o oposto da maioria propositalmente; Isto é: não importa se concordam com a esta maioria, negam até a morte para garantir a sinceridade. Sinceridade, apesar do quadro atual, não significa ser sempre do contra. Pode significar para os menos esclarecidos, mas o verdadeiro sincero sabe bem disso e não se deixa levar pelo status.
No final das contas, todos convivem em relativa paz. Rusgas são normais em qualquer relação humana, basta saber lidar com elas, coisa que os sinceros vem aprendendo a fazer; Fingem ser da maioria, plantam a semente da mudança e seguem como se não fosse com eles. Dogmas estão sendo derrubados, preconceitos estão caindo por terra e a sociedade finalmente demonstra sinais de evolução nos campos da tolerância e da convivência, mas lembre-se sempre: você é único por excelência, assim como todos os outros seres-humanos.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Lulinha paz e amor.

Sou leigo. Leigo no que diz respeito a muitos assuntos; Moda, música, eletrônicos, informática... E eu sei lá qual é o iPhone mais moderno? Imagina. Qual a última plataforma lançada pela Nintendo? Chuto que foi o Nintendo DSI (e olhe lá). Cantores e bandas? Só tenho alguma informação sobre os que gosto, e são poucos - vale comentar que meu interesse por eles termina junto com o clipe e a música. Versace ou Armani? Armani - posso não conhecer todas as grifes, mas tenho algumas preferidas.
É por ser um leigo-nato que me proponho a falar um pouco, aqui e agora, sobre política. Existe assunto que nos deixe mais leigos do que política? Ninguém entende direito o que acontece no Brasil, muito menos no mundo - ainda mais o próprio autor desse magnífico e inútil blog. Leigos também tem opinião, ainda que limitadas pela ignorância e por vezes tendenciosas a determinadas realidades.
Meu avô, 83 anos de idade e 83 motivos para ser considerado um capeta no mundo virtual, vive me mandando e-mails sobre os mais variados assuntos, mas os de cunho político são periódicos - semanais, eu diria. O último falava sobre uma publicação no Diário Oficial que determina os direitos e privilégios dos ex-presidentes da República Federativa do Brasil - isso mesmo, queridinho, você não vive no Brasil e sim na República Federativa do mesmo. Não tive paciência para ler o e-mail todo, mas a indignação presente era notória já nas primeiras linhas. "Para onde vai o dinheiro dos seus impostos". Boa pergunta: para onde vai mesmo? Para a República Federativa do Brasil, obviamente, e espera-se o bom uso desses valores. Isso acontece? Todos sabemos que não, mas nunca teremos certeza da extensão da coisa; Podemos estar sendo totalmente roubados ou apenas em parte. Mas não é sobre isso que quero falar, até porque ainda não pago impostos, logo, não posso nem me considerar leigo nesse assunto.
Vejo muitas pessoas criticando o atual presidente do país. Dizem que ele é um analfabeto preguiçoso, que deveria ter sofrido impeachment como o malfadado Collor (por causa daqueles escândalos envolvendo tobo-águas de dinheiro, lá em 2003 mais ou menos)... Falam da origem, da postura, da cara de pobre, da roubalheira... E nesse e-mail que recebi, questionam os luxos que ele, assim como qualquer outro ex-presidente, vai receber quando sair daquele palácio horroroso (que nada mais é do que uma caixa de sapatos feita de vidro) em Brasília. Calma lá, parem a procissão porque o santo quer beber água: luxos? É impressão minha ou as pessoas acham que ser presidente de um país é "poucas merdas"? Se o Lula é de fato um merda, não sei, não faço idéia de como agiria no lugar dele, mas tenho certeza que ser presidente do Brasil não é algo comum que mereça uma simples aposentadoria. PRESIDENTE, minha gente. Não confundam presidente com vereador porque é muito diferente - embora a mãe seja a mesma.
Usamos o analfabetismo dele como arma e esquecemos que nosso país é carregado por analfabetos; O analfabeto funcional é muito pior do que aquele que não sabe nem escrever, acreditem. Foi moda por um tempo chamá-lo de "manguaceiro". E o respeito?
Vivemos no país que inventou a cachaça, olhem o telhado de vidro.
Num país onde nem o presidente é respeitado, convenhamos, esperar um desenvolvimento chinês é querer que uma chuva de meia-hora acabe com a seca do nordeste. A mudança não deve vir única e exclusivamente das mãos do presidente, o povo é que deve fazer a diferença. Votar sem consciência, abnegar os direitos de cidadania que nos são dados assim que nascemos, viver dando "jeitinhos" nas regras... E a culpa é do presidente que é analfabeto, cachaceiro e tem cara de pobre?
Sempre fui contra o PT, nunca gostei do Lula e nem de longe pretendo seguir por essa vertente jornalística (política), mas senso crítico eu tenho e ele é bem forte. Ser presidente não é fácil e por pior que seja o infeliz, ele merece respeito. Não concordar com as propostas dele não é sinônimo de execrá-lo como se fosse um atendente do Mac Donalds que esqueceu o molho especial do seu Big Mac. Meçamos as importâncias antes de abrirmos o verbo sobre alguém tão importante.
Por fim, gostaria de exercitar minha boa vontade: detesto o Lula, mas devo assumir que ele relançou o Brasil no mundo. Viramos grife. Teremos uma copa e pela primeira vez os jogos olímpicos. Se ele não deu fim ao analfabetismo e não acabou com a fome, por outro lado foi uma ótima garota propaganda. Isso nos trará lucros futuramente, acreditem. O presidente nada mais é do que um espelho do país. A verdade dói, não é mesmo?

quarta-feira, 24 de março de 2010

Um exercício com Paulo Sergio Lyrio.

Como ando sem pauta, vou simplesmente transcrever um trabalho que o professor de Lingua Portuguessa II passou para a turma hoje - o irônico é que ele passou essa tarefa por estarmos adiantados em relação as demais turmas (pelo menos foi o que ele disse).

- Transforme o texto "Tragédia Brasileira", de Manoel Bandeira, em uma manchete impactante para um jornal popular (O Dia, Extra, Meia Hora, etc).

Tragédia Brasileira.

Misael, funcionário da Fazenda, com secenta e três anos de idade, conheceu Maria Elvira na Lapa - prostituida, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da rua. Instalou-a num sobrado do Estácio. Pagou médico, dentista, manicure... Dava tudo o que ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim. Toda vez que Maria Elvira arranjava um namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moraram do Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bom-Sucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapi, outra vez Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim, na Rua da Constituição, onde Misael privado dos sentidos de inteligência matou-a com seis tiros e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal vestida de organdi azul.


- PRESO O ASSASSINO DA DAMA DE AZUL DA CONSTITUIÇÃO!

Misael Santos da Cunha, 68, foi preso hoje de tarde em um restaurante próximo a sua casa pelo assassinato de Maria Elvira Cordeiro Organdi, 28, a "dama de azul".
O corpo da jovem foi encontrado ontem, terça-feira (17), pela polícia, na Rua da Constituição. Ela teria sido assassinada com seis tiros na noite de segunda-feira (16), pelo então namorado Misael da Cunha.
A polícia considerou o idoso como principal suspeito à partir do depoimento de uma testemunha. Como não conseguiram localizá-lo, ele foi dado como foragido.
Quando interrogado pelos policiais, assumiu ter cometido o crime por vingança - Maria Elvira o teria traído várias vezes. Ainda disse que se escondeu por dois dias na casa de amigos, para se recuperar do trauma, e que pretendia se entregar depois do almoço.
Misael, ex-funcionário do Ministério da Fazenda, teria conhecido Maria Elvira na Lapa, como prostituta. Ele deverá ser indiciado por homicídio qualificado e pode pegar até 15 anos de prisão, mesmo estando em idade avançada.


Bom, ficou parecido com o tipo de manchete que aparece no Meia Hora, Extra ou O Dia? Não - TALVEZ no Extra, onde inclusive a linguagem dos comerciais é menos coloquial. O fato é que o professor pediu que lêssemos o que escrevemos e quando não sorteou o nome de alguém, atendeu a uma mão levantada. Fui sorteado? Não. Levantei minha mão? Óbvio que não. Me arrependi? Muito. No final da aula ele escolheu quatro alunos para trabalharem com ele em alguma coisa que não entendi direito do que se tratava, sei apenas que esses quatro terão apenas que fazer a V.A (a primeira prova do período), livrando-se assim da prova gramatical e da V.F (avaliação final). Mas sabem que meu arrependimento não é nem por ter perdido a chance de ganhar esses privilégios? Até porque esses alunos terão que se encontrar com o professor algumas vezes fora da sala de aula e confesso que sou improdutivo e inoperante demais para abrir mão do meu tempo livre. Enfim, o maior motivo desse arrependimento vem de uma promessa que fiz a mim mesmo: voltaria a ser a pessoa simpática e comunicativa que outrora fui, em busca de um horizonte menos nebuloso e de uma vida social não tão isolada. Perdi a chance de mostrar como costumo trabalhar e porque decidi fazer jornalismo. Imbecil, não? E tudo por causa de uma timidez desnecessária e nociva. Paciência. Mas, pelo menos, agora posso exemplificar com algo mais concreto o que se faz numa faculdade de jornalismo. Não é o primeiro exercício do gênero que fiz, e dificilmente será o último. Que da próxima vez eu deixe de lado a paranóia e perca o medo de me destacar (ou não). Quem não é julgado, não sai da concha, logo, não cresce e acaba perdendo boas coisas da vida. Fica a dica.

sábado, 20 de março de 2010

Me encontre no divã...

Se expor. Aí está uma coisa difícil de se fazer, não é? Não. Se você não sente vergonha de viver e de ser quem é, não é nada complicado abrir o coração, nada que deixe suor nas palmas das mãos. Mas, nesse caso, para que o divã mesmo?
Nunca senti, verdadeiramente, vergonha ao contar algum capítulo do meu livro... Na verdade, quando aconteceu, foi por medo da reação das pessoas do que por achar tal passagem imprópria. Peco por me abrir demais e nunca arrancar as páginas mal-escritas; se fiz, fiz mesmo, e se me arrependi, me arrependi mesmo e não vejo motivo para vergonha... Aprende-se com os erros, os acertos são fáceis e não educam. Se fiz merda e não me arrependi? Podia simplesmente não ter sido pego. 
Continua a pergunta: para quê o divã então? Quando se passa por muitos apertos, com total despreparo, pode acontecer de uma pecinha sair do lugar. Logo que ela desencaixa, é empurrada por uma enxurrada de outras pecinhas que pretendem substituí-la - e é nessa troca de peças que acontece o amadurecimento, o envelhecimento e a troca de experiências.
O problema desse processo lúdico é quando a pecinha perdida trata-se de uma das essenciais; uma característica muito forte da personalidade, ou o gosto por algo não convencional que faz toda a diferença naquela pessoa, e até mesmo, pasmem, a personalidade.
Acreditem ou não, é possível perder a personalidade sem querer (ou querendo), e isso não torna uma pessoa mais fraca... Talvez torne-a detestável. Os motivos pelos quais isso acontece variam entre cada um; alguns tentam se adaptar a uma realidade, outros simplesmente não gostam de si e querem mudar, e por aí vai...
As pessoas mudam, é verdade. Mas quando elas mudam sem perceber e tornam-se caricaturas do que outrora foram, é porque alguma coisa está errada e, ás vezes, as mesmas não conseguem descobrir sozinhas o que as levaram a tal descaracterização.
O divã, ou a terapia, serve justamente para compreender o próprio ser e, quem sabe, descobrir em qual momento do livro foi perdida a pecinha tão querida e se é possível e necessário recuperá-la; ás vezes o estrago é grande demais para que haja um retrocesso, então, nesses casos, o melhor a fazer é aprender a aceitar e a amar aquele novo ser.
Deus deveria ser o primeiro a fazer terapia... talvez o caso dele já esteja perdido. Sem problemas, o psicólogo não vai solucionar? Sempre há um psiquiatra e um tarja-preta dando sopa por aí.
Que mundo é esse, meu Deus? Me sento no divã, mas tenho certeza que a humanidade precisa mais do que eu. Estou tentando recuperar a pecinha que me permitia conviver com as pessoas sem querer matá-las. E não falo no sentido figurado.



quarta-feira, 17 de março de 2010

Limites: filho de peixe, peixinho é.

Minha mãe leu meu texto sobre limites e resolveu dar sua opinião por meio de um recado (scrap) no Orkut. Eu não teria escrito melhor, mas com certeza não abusaria tanto do Caps Lock, rs. Segue-se o texto...

OI, FILHÃO! NÃO PUDE DEIXAR DE LER E ADMIRAR O QUE ESCREVEU, MAS EXISTE SIM UMA PALAVRA MAIS FRUSTRANTE, QUE É O TALVEZ.
FICAMOS EM CIMA DO MURO E NÃO TOMAMOS NENHUMA ATITUDES EM PROL DE MUDANÇAS NECESSÁRIAS PARA A EVOLUÇÃO DA NOSSA SOCIEDADE, DA NOSSA ÉSPÉCIE, ENFIM.
A MUITO ESTÁ PROVADO QUE O MODELO ESTÁ CADUCO. ELE É RETROGRADO, ANTIQUADO E INFELIZMENTE O QUE IMPERA É A IGNORÂNCIA E A DESOBEDIÊNCIA. A ARROGÂNCIA E A FALTA DE AMOR. O SER HUMANO PRECISA SER MESQUINHO E INVEJOSO PARA SE SENTIR ALGUÉM OU ALGUMA COISA. OS VALORES E OS PRICÍPIOS DESCERAM LADEIRA ABAIXO COM A DESCULPA DE RELAÇÕES ANTIQUADAS E ENTRADA EM UM NOVO SÉCULO, MAS QUE NOVO É ESSE SE AS PESSOAS CONTINUAM TACANHAS, OBTUSAS, IGNORANTES E DESELEGANTES?
MUDANÇA - É, VAMOS PROCURAR NO AURÉLIO O SIGNIFICADO DESSA PALAVRA ESSENCIAL NOS NOSSOS DIAS.
QUE O LIMITE SEJA O QUE NUNCA ESTARÁ POR VIR PARA QUE A GRANDEZA DO SER HUMANO ACONTEÇA AINDA NESSE SÉCULO E AS DIFERENÇAS SEJAM APENAS APARENTES E NÃO SEGREGADORAS.
TE AMO E DIGO QUE TEMOS MUITO EM COMUM - PRINCIPALMENTE ESSE INCONFORMISMO EXISTENCIAL NO QUE DIZ RESPEITO À TOTAL PERENIDADE DE NOSSA SOCIEDADE. PIEGAS E PEDANTES PARA MUITOS, MAS SAGAZES E FOCADOS, QUE É O QUE INTERESSA.

CONTINUE A SER ANALÍTICO E LÚCIDO.
TE AMO, FILHÃO. BEIJOS

Daonde vim, para onde vou e meu espelho. Quem sabe meu pai não se anima futuramente e acaba vindo parar aqui, não é mesmo? Ser filho de duas pessoas inteligentes e centradas tem seu lado produtivo.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Crítica: Avatar ou "Pocahontas em Sci-Fi".

Grandes promessas, poucos resultados. Sim, tornou-se um "au concour" das bilheterias. Sim, trouxe efeitos digitais e visuais não só inovadores, mas encantadores também. Tem uma excelente história. Não passa de uma versão sci-fi de "Pocahontas".
O filme mais aguardado dos últimos tempos fez barulho antes de estrear e, até o presente momento, permanece no primeiro lugar nas bilheterias - tendo entrado em cartaz no Brasil há pouco menos que um mês atrás.
"Avatar", do "titânico" James Camerom, levantou o público nos cinemas como há tempos não acontecia. Em sua primeira propaganda foram relembrados outros grandes sucessos de seu diretor, como "Titanic" (1997) e "Jurassic Park" (1993), com o intuito de deixar claro que o que estava por vir não deixaria a desejar. Infelizmente, deixou.
A qualidade do acabamento do filme é impecável, bem como a presença em cena dos atores e a mão firme de Camerom, mas, se tirarmos toda a beleza digital do filme, sobra muito pouco - culpa da essencia, que de tão clichê, lembra em muito "Pocahontas", da Disney.



Apoiando-se no eterno argumento da destruição causada pela doentia ganância humana, James Camerom leva a audiência ao fictício planeta "Pandora", onde o povo dominante chama-se "Na'Vi" - humanóides gigantes, com costumes indígenas estilizados, uma leve semelhança com felinos e com a pele azul. O que leva o homem e sua destruição ao planeta? A busca por um minério cujo grama custa 20 milhões (ou bilhões, já que tudo no filme é super). O que leva a história a se desenvolver? A maior reserva do tal minério encontra-se embaixo de uma grande árvore, simbólica para o povo azul e usada também como moradia. No meio tempo entre a guerra pela conquista do território e a salvação de um povo, um soldado, disfarçado de Na'vi, apaixona-se por uma nativa verdadeira - e filha do chefe da tribo, logo, uma espécie de princesa.
Poderia entrar em detalhes falando da tecnologia não-tão-fictícia do filme, bem como tornaram possível dentro da história que um humano transformasse-se num gigante azul, mas para tanto acabaria me estendendo e creio que isso não seja necessário.
"Avatar" é de tirar o fôlego - os cenários, a palheta de cores, os efeitos especiais, a animação digital, o roteiro, a história... Quase tudo no filme deixa o espectador atordoado e maravilhado. No entanto, Camerom poderia ter inovado no principal, que é a premissa na qual o filme se baseia. A velha supremacia americana destruindo tudo aquilo que é bom em prol da economia é o argumento mais batido nos últimos 20 anos. Seria possível fazer o mesmo filme só que com uma premissa diferente? Sim. Bastava ele não usar e abusar de sentimentalismo barato e argumentos tão óbvios.
Resumindo? É o tipo de filme que não se ama e nem se odeia, mas vale o preço do ingresso e merece destaque uma vez que inovou em muitos sentidos, mas perdeu por não ter inovado no básico, no mais fácil: a motivação que carrega a trama.
James Camerom que me perdoe mas, assim como Linda Blair foi para sempre a menininha possuída de "O Exorcista", ele será para sempre o fantástico diretor de "Titanic", o filme de sua carreira.

Crítica: Nine.

Penélope Cruz, Marion Cotillard, Nicole Kidman, Kate Hudson, Sophia Loren, Stacy Ferguson (a.k.a Fergie), Judy Dench e Daniel Day-Lewis, o pequeno elenco estelar que carrega "Nine", o mais novo musical do diretor de "Chicago", nas costas. Uma agradável surpresa com uma leve decepção.
Os números musicais são excelentes, embora em sua maioria tenha sido usado o mesmo cenário. Engraçado, emocionante e elétrico, "Nine" trata de um diretor italiano de cinema em crise por estar em um ócio criativo profundo. No entanto, os motivos pelos quais seus filmes não fazem mais sucesso é bem menos objetivo do que pode parecer.



Guido Continni (Day-Lewis) usa e abusa das mulheres, explorando os sentimentos de sua esposa, Luiza (Cotillard), o que o leva a uma situação insustentável: sem conseguir escrever um novo roteiro, entra em estado de fuga e tenta se esconder dos holofotes e dos produtores sedentos por mais um sucesso. Como é de se esperar, os problemas vão atrás dele e provocam no personagem uma transformação sofrida.
As interpretações são fantásticas, com destaques especiais para Day-Lewis, Fergie, Marion Cotillard, Penélope Cruz e Kate Hudson.
A sofrida Luiza de Cotillard é a perfeita esposa anulada pelo amor que tem pelo marido, propenso a todos os exageros comuns aos artistas, traçando uma trajetória com vários momentos dignos de pena, para culminar o ponto final daquela relação em um número musical emocionante e choroso. Palmas para a eterna Piaf.
Penélope Cruz, a ardente amante, impressiona pela simplicidade da personagem, voluptuosa e raza. "A Call From Vatican" é a primeira grande música do filme e, quando termina, deixa gosto de "quero mais". Uma personagem simples, que não exigiu grande entrega e não fosse a cena musical, teria sido apagada.
Fergie encarna uma espécie de prostituta que fez parte da infância do atormentado diretor, tendo seu grande número musical, "Be Italian", fixado num flashback fantástico. Como em todas suas participações em filmes, ela aparece, dá um show, e some sem deixar rastros. A coreografia, o cenário, a música, a voz... Tudo. Pediram a ela exatamente o que ela sabe fazer: um clipe.
Kate Hudson provou que tornou-se uma atriz mais completa, mais madura. Sua pontinha, como uma repórter, ganhou destaque ao ponto de merecer várias menções após a sessão de cinema. "Cinema Italiano", sua canção, é a mais animada de todo o filme, ganhando inclusive de "Folies-Bergère". Num número musical incrível, a eterna repórter que queria perder um homem em 10 dias soltou sua voz e seu corpo, entregando a alma no que deveria ser apenas uma boa cena. Marcou.
Judy Dench teve um bom desempenho que só não mereceu críticas pelo carisma de sua personagem - uma espécie de segunda-mãe e conselheira. "Folies-Bergère", sua canção, é excelente e remete muito a Chicago.
Sophia Loren encarna a mãe de Guido e aparece apenas como uma lembrança ou uma assombração, como uma conciência estranha e infantil, deixando claro que a relação entre os dois, apesar de amorosa, era complicada - pode-se notar um leve complexo de Édipo.
Seu número musical é nostálgico, fraco e pouco emocionante. Parabéns à forma da atriz, incrível para sua idade (mesmo com os avanços da medicina estética).
"Nine" trata das angústias masculinas sob o ponto de vista da própria vítima, machista não só por sua criação ou posição social, mas sim por sempre ter sido endeusado pelas mulheres de sua vida. O filme fala de um homem em crise, em dúvida, e talvez esse seja o maior problema de "Nine": um homem em crise por causa de sua excessiva virilidade e falta de envolvimento emocional com suas amantes? Como isso é possível? Nem sempre o público entende. No final das contas, o filme cumpriu seu papel, mas não convenceu, não marcou como deveria.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Limites

Existem palavras mais frustrantes que o "sim" e o "não"? Não, não existem. São necessárias, mas muitas vezes estão ligadas diretamente às nossas frustrações; elas tem em mãos o poder de nos libertar, podendo, também, nos aprisionar.
Fala-se muito que cada ser-humano é único, mas se isso é mesmo verdade, como podemos viver em uma dita sociedade? Se os meus limites não são os seus, como é possível haver regras que permitem e proíbem a todos, sem excessões? Todos sabemos que para um real convívio social, alguns terão que ceder e outros nem tanto - e é aqui que faço meu apontamento: como definir aqueles que terão que abrir mão e aqueles que já estão conformados, ou melhor, enquadrados ao padrão? A culpa é da cultura.
A cultura é absurdamente mutante dependendo da sociedade que entrar em foco - inclusive dentro de países semi-continentais como o Brasil. Na Europa, aceitam comportamentos e atitudes que aqui ainda são considerados reprováveis. No Brasil, permite-se uma manifestação maior em relação ao que diz respeito a própria cultura; Por sermos uma ex-colonia de exploração, abraçamos no passado um pouco de vários países e assim formamos nosso caráter - herança maldita. Claro que exercemos responsabilidade sobre esta, mas ainda assim não deixamos de carregar certos fardos que não deveriam mais caber às nossas costas.
Muitos negam seus desejos, sonhos e vontades para adequar-se ao "socialmente aceitável"; evitam condultas que possam causar constragimento próprio e ao meio (em ligação direta), e esperam sempre o concentimento que diz que são pessoas normais. Isso é doença. Uma pessoa que permite que outras limitem seus anseios e desejos pessoais caminham em direção a hipocrisia; Alimentam o monstro, permitem que os padrões negativos não sejam mudados.
Que fique claro que falo de limites que implicam apenas em exigir um padrão comportamental e não daqueles que geram regras para o bem estar comum; não é porque você sente vontade de entrar numa igreja atirando que vai poder fazer isso - NUNCA.
Existem limites até para os limites, mas é muito relativa a máxima de que " seus direitos acabam onde começam os dos outros"; e quando os outros se unem para definir quais são os meus direitos? Infelizmente, a maioria vence, sempre.