segunda-feira, 8 de março de 2010

Crítica: Avatar ou "Pocahontas em Sci-Fi".

Grandes promessas, poucos resultados. Sim, tornou-se um "au concour" das bilheterias. Sim, trouxe efeitos digitais e visuais não só inovadores, mas encantadores também. Tem uma excelente história. Não passa de uma versão sci-fi de "Pocahontas".
O filme mais aguardado dos últimos tempos fez barulho antes de estrear e, até o presente momento, permanece no primeiro lugar nas bilheterias - tendo entrado em cartaz no Brasil há pouco menos que um mês atrás.
"Avatar", do "titânico" James Camerom, levantou o público nos cinemas como há tempos não acontecia. Em sua primeira propaganda foram relembrados outros grandes sucessos de seu diretor, como "Titanic" (1997) e "Jurassic Park" (1993), com o intuito de deixar claro que o que estava por vir não deixaria a desejar. Infelizmente, deixou.
A qualidade do acabamento do filme é impecável, bem como a presença em cena dos atores e a mão firme de Camerom, mas, se tirarmos toda a beleza digital do filme, sobra muito pouco - culpa da essencia, que de tão clichê, lembra em muito "Pocahontas", da Disney.



Apoiando-se no eterno argumento da destruição causada pela doentia ganância humana, James Camerom leva a audiência ao fictício planeta "Pandora", onde o povo dominante chama-se "Na'Vi" - humanóides gigantes, com costumes indígenas estilizados, uma leve semelhança com felinos e com a pele azul. O que leva o homem e sua destruição ao planeta? A busca por um minério cujo grama custa 20 milhões (ou bilhões, já que tudo no filme é super). O que leva a história a se desenvolver? A maior reserva do tal minério encontra-se embaixo de uma grande árvore, simbólica para o povo azul e usada também como moradia. No meio tempo entre a guerra pela conquista do território e a salvação de um povo, um soldado, disfarçado de Na'vi, apaixona-se por uma nativa verdadeira - e filha do chefe da tribo, logo, uma espécie de princesa.
Poderia entrar em detalhes falando da tecnologia não-tão-fictícia do filme, bem como tornaram possível dentro da história que um humano transformasse-se num gigante azul, mas para tanto acabaria me estendendo e creio que isso não seja necessário.
"Avatar" é de tirar o fôlego - os cenários, a palheta de cores, os efeitos especiais, a animação digital, o roteiro, a história... Quase tudo no filme deixa o espectador atordoado e maravilhado. No entanto, Camerom poderia ter inovado no principal, que é a premissa na qual o filme se baseia. A velha supremacia americana destruindo tudo aquilo que é bom em prol da economia é o argumento mais batido nos últimos 20 anos. Seria possível fazer o mesmo filme só que com uma premissa diferente? Sim. Bastava ele não usar e abusar de sentimentalismo barato e argumentos tão óbvios.
Resumindo? É o tipo de filme que não se ama e nem se odeia, mas vale o preço do ingresso e merece destaque uma vez que inovou em muitos sentidos, mas perdeu por não ter inovado no básico, no mais fácil: a motivação que carrega a trama.
James Camerom que me perdoe mas, assim como Linda Blair foi para sempre a menininha possuída de "O Exorcista", ele será para sempre o fantástico diretor de "Titanic", o filme de sua carreira.

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