sexta-feira, 26 de março de 2010

Lulinha paz e amor.

Sou leigo. Leigo no que diz respeito a muitos assuntos; Moda, música, eletrônicos, informática... E eu sei lá qual é o iPhone mais moderno? Imagina. Qual a última plataforma lançada pela Nintendo? Chuto que foi o Nintendo DSI (e olhe lá). Cantores e bandas? Só tenho alguma informação sobre os que gosto, e são poucos - vale comentar que meu interesse por eles termina junto com o clipe e a música. Versace ou Armani? Armani - posso não conhecer todas as grifes, mas tenho algumas preferidas.
É por ser um leigo-nato que me proponho a falar um pouco, aqui e agora, sobre política. Existe assunto que nos deixe mais leigos do que política? Ninguém entende direito o que acontece no Brasil, muito menos no mundo - ainda mais o próprio autor desse magnífico e inútil blog. Leigos também tem opinião, ainda que limitadas pela ignorância e por vezes tendenciosas a determinadas realidades.
Meu avô, 83 anos de idade e 83 motivos para ser considerado um capeta no mundo virtual, vive me mandando e-mails sobre os mais variados assuntos, mas os de cunho político são periódicos - semanais, eu diria. O último falava sobre uma publicação no Diário Oficial que determina os direitos e privilégios dos ex-presidentes da República Federativa do Brasil - isso mesmo, queridinho, você não vive no Brasil e sim na República Federativa do mesmo. Não tive paciência para ler o e-mail todo, mas a indignação presente era notória já nas primeiras linhas. "Para onde vai o dinheiro dos seus impostos". Boa pergunta: para onde vai mesmo? Para a República Federativa do Brasil, obviamente, e espera-se o bom uso desses valores. Isso acontece? Todos sabemos que não, mas nunca teremos certeza da extensão da coisa; Podemos estar sendo totalmente roubados ou apenas em parte. Mas não é sobre isso que quero falar, até porque ainda não pago impostos, logo, não posso nem me considerar leigo nesse assunto.
Vejo muitas pessoas criticando o atual presidente do país. Dizem que ele é um analfabeto preguiçoso, que deveria ter sofrido impeachment como o malfadado Collor (por causa daqueles escândalos envolvendo tobo-águas de dinheiro, lá em 2003 mais ou menos)... Falam da origem, da postura, da cara de pobre, da roubalheira... E nesse e-mail que recebi, questionam os luxos que ele, assim como qualquer outro ex-presidente, vai receber quando sair daquele palácio horroroso (que nada mais é do que uma caixa de sapatos feita de vidro) em Brasília. Calma lá, parem a procissão porque o santo quer beber água: luxos? É impressão minha ou as pessoas acham que ser presidente de um país é "poucas merdas"? Se o Lula é de fato um merda, não sei, não faço idéia de como agiria no lugar dele, mas tenho certeza que ser presidente do Brasil não é algo comum que mereça uma simples aposentadoria. PRESIDENTE, minha gente. Não confundam presidente com vereador porque é muito diferente - embora a mãe seja a mesma.
Usamos o analfabetismo dele como arma e esquecemos que nosso país é carregado por analfabetos; O analfabeto funcional é muito pior do que aquele que não sabe nem escrever, acreditem. Foi moda por um tempo chamá-lo de "manguaceiro". E o respeito?
Vivemos no país que inventou a cachaça, olhem o telhado de vidro.
Num país onde nem o presidente é respeitado, convenhamos, esperar um desenvolvimento chinês é querer que uma chuva de meia-hora acabe com a seca do nordeste. A mudança não deve vir única e exclusivamente das mãos do presidente, o povo é que deve fazer a diferença. Votar sem consciência, abnegar os direitos de cidadania que nos são dados assim que nascemos, viver dando "jeitinhos" nas regras... E a culpa é do presidente que é analfabeto, cachaceiro e tem cara de pobre?
Sempre fui contra o PT, nunca gostei do Lula e nem de longe pretendo seguir por essa vertente jornalística (política), mas senso crítico eu tenho e ele é bem forte. Ser presidente não é fácil e por pior que seja o infeliz, ele merece respeito. Não concordar com as propostas dele não é sinônimo de execrá-lo como se fosse um atendente do Mac Donalds que esqueceu o molho especial do seu Big Mac. Meçamos as importâncias antes de abrirmos o verbo sobre alguém tão importante.
Por fim, gostaria de exercitar minha boa vontade: detesto o Lula, mas devo assumir que ele relançou o Brasil no mundo. Viramos grife. Teremos uma copa e pela primeira vez os jogos olímpicos. Se ele não deu fim ao analfabetismo e não acabou com a fome, por outro lado foi uma ótima garota propaganda. Isso nos trará lucros futuramente, acreditem. O presidente nada mais é do que um espelho do país. A verdade dói, não é mesmo?

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