segunda-feira, 8 de março de 2010

Crítica: Nine.

Penélope Cruz, Marion Cotillard, Nicole Kidman, Kate Hudson, Sophia Loren, Stacy Ferguson (a.k.a Fergie), Judy Dench e Daniel Day-Lewis, o pequeno elenco estelar que carrega "Nine", o mais novo musical do diretor de "Chicago", nas costas. Uma agradável surpresa com uma leve decepção.
Os números musicais são excelentes, embora em sua maioria tenha sido usado o mesmo cenário. Engraçado, emocionante e elétrico, "Nine" trata de um diretor italiano de cinema em crise por estar em um ócio criativo profundo. No entanto, os motivos pelos quais seus filmes não fazem mais sucesso é bem menos objetivo do que pode parecer.



Guido Continni (Day-Lewis) usa e abusa das mulheres, explorando os sentimentos de sua esposa, Luiza (Cotillard), o que o leva a uma situação insustentável: sem conseguir escrever um novo roteiro, entra em estado de fuga e tenta se esconder dos holofotes e dos produtores sedentos por mais um sucesso. Como é de se esperar, os problemas vão atrás dele e provocam no personagem uma transformação sofrida.
As interpretações são fantásticas, com destaques especiais para Day-Lewis, Fergie, Marion Cotillard, Penélope Cruz e Kate Hudson.
A sofrida Luiza de Cotillard é a perfeita esposa anulada pelo amor que tem pelo marido, propenso a todos os exageros comuns aos artistas, traçando uma trajetória com vários momentos dignos de pena, para culminar o ponto final daquela relação em um número musical emocionante e choroso. Palmas para a eterna Piaf.
Penélope Cruz, a ardente amante, impressiona pela simplicidade da personagem, voluptuosa e raza. "A Call From Vatican" é a primeira grande música do filme e, quando termina, deixa gosto de "quero mais". Uma personagem simples, que não exigiu grande entrega e não fosse a cena musical, teria sido apagada.
Fergie encarna uma espécie de prostituta que fez parte da infância do atormentado diretor, tendo seu grande número musical, "Be Italian", fixado num flashback fantástico. Como em todas suas participações em filmes, ela aparece, dá um show, e some sem deixar rastros. A coreografia, o cenário, a música, a voz... Tudo. Pediram a ela exatamente o que ela sabe fazer: um clipe.
Kate Hudson provou que tornou-se uma atriz mais completa, mais madura. Sua pontinha, como uma repórter, ganhou destaque ao ponto de merecer várias menções após a sessão de cinema. "Cinema Italiano", sua canção, é a mais animada de todo o filme, ganhando inclusive de "Folies-Bergère". Num número musical incrível, a eterna repórter que queria perder um homem em 10 dias soltou sua voz e seu corpo, entregando a alma no que deveria ser apenas uma boa cena. Marcou.
Judy Dench teve um bom desempenho que só não mereceu críticas pelo carisma de sua personagem - uma espécie de segunda-mãe e conselheira. "Folies-Bergère", sua canção, é excelente e remete muito a Chicago.
Sophia Loren encarna a mãe de Guido e aparece apenas como uma lembrança ou uma assombração, como uma conciência estranha e infantil, deixando claro que a relação entre os dois, apesar de amorosa, era complicada - pode-se notar um leve complexo de Édipo.
Seu número musical é nostálgico, fraco e pouco emocionante. Parabéns à forma da atriz, incrível para sua idade (mesmo com os avanços da medicina estética).
"Nine" trata das angústias masculinas sob o ponto de vista da própria vítima, machista não só por sua criação ou posição social, mas sim por sempre ter sido endeusado pelas mulheres de sua vida. O filme fala de um homem em crise, em dúvida, e talvez esse seja o maior problema de "Nine": um homem em crise por causa de sua excessiva virilidade e falta de envolvimento emocional com suas amantes? Como isso é possível? Nem sempre o público entende. No final das contas, o filme cumpriu seu papel, mas não convenceu, não marcou como deveria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário