quarta-feira, 24 de março de 2010

Um exercício com Paulo Sergio Lyrio.

Como ando sem pauta, vou simplesmente transcrever um trabalho que o professor de Lingua Portuguessa II passou para a turma hoje - o irônico é que ele passou essa tarefa por estarmos adiantados em relação as demais turmas (pelo menos foi o que ele disse).

- Transforme o texto "Tragédia Brasileira", de Manoel Bandeira, em uma manchete impactante para um jornal popular (O Dia, Extra, Meia Hora, etc).

Tragédia Brasileira.

Misael, funcionário da Fazenda, com secenta e três anos de idade, conheceu Maria Elvira na Lapa - prostituida, com sífilis, dermite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da rua. Instalou-a num sobrado do Estácio. Pagou médico, dentista, manicure... Dava tudo o que ela queria.
Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim. Toda vez que Maria Elvira arranjava um namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moraram do Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bom-Sucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapi, outra vez Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim, na Rua da Constituição, onde Misael privado dos sentidos de inteligência matou-a com seis tiros e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal vestida de organdi azul.


- PRESO O ASSASSINO DA DAMA DE AZUL DA CONSTITUIÇÃO!

Misael Santos da Cunha, 68, foi preso hoje de tarde em um restaurante próximo a sua casa pelo assassinato de Maria Elvira Cordeiro Organdi, 28, a "dama de azul".
O corpo da jovem foi encontrado ontem, terça-feira (17), pela polícia, na Rua da Constituição. Ela teria sido assassinada com seis tiros na noite de segunda-feira (16), pelo então namorado Misael da Cunha.
A polícia considerou o idoso como principal suspeito à partir do depoimento de uma testemunha. Como não conseguiram localizá-lo, ele foi dado como foragido.
Quando interrogado pelos policiais, assumiu ter cometido o crime por vingança - Maria Elvira o teria traído várias vezes. Ainda disse que se escondeu por dois dias na casa de amigos, para se recuperar do trauma, e que pretendia se entregar depois do almoço.
Misael, ex-funcionário do Ministério da Fazenda, teria conhecido Maria Elvira na Lapa, como prostituta. Ele deverá ser indiciado por homicídio qualificado e pode pegar até 15 anos de prisão, mesmo estando em idade avançada.


Bom, ficou parecido com o tipo de manchete que aparece no Meia Hora, Extra ou O Dia? Não - TALVEZ no Extra, onde inclusive a linguagem dos comerciais é menos coloquial. O fato é que o professor pediu que lêssemos o que escrevemos e quando não sorteou o nome de alguém, atendeu a uma mão levantada. Fui sorteado? Não. Levantei minha mão? Óbvio que não. Me arrependi? Muito. No final da aula ele escolheu quatro alunos para trabalharem com ele em alguma coisa que não entendi direito do que se tratava, sei apenas que esses quatro terão apenas que fazer a V.A (a primeira prova do período), livrando-se assim da prova gramatical e da V.F (avaliação final). Mas sabem que meu arrependimento não é nem por ter perdido a chance de ganhar esses privilégios? Até porque esses alunos terão que se encontrar com o professor algumas vezes fora da sala de aula e confesso que sou improdutivo e inoperante demais para abrir mão do meu tempo livre. Enfim, o maior motivo desse arrependimento vem de uma promessa que fiz a mim mesmo: voltaria a ser a pessoa simpática e comunicativa que outrora fui, em busca de um horizonte menos nebuloso e de uma vida social não tão isolada. Perdi a chance de mostrar como costumo trabalhar e porque decidi fazer jornalismo. Imbecil, não? E tudo por causa de uma timidez desnecessária e nociva. Paciência. Mas, pelo menos, agora posso exemplificar com algo mais concreto o que se faz numa faculdade de jornalismo. Não é o primeiro exercício do gênero que fiz, e dificilmente será o último. Que da próxima vez eu deixe de lado a paranóia e perca o medo de me destacar (ou não). Quem não é julgado, não sai da concha, logo, não cresce e acaba perdendo boas coisas da vida. Fica a dica.

Um comentário:

  1. como gostaria de me desfazer dessa timidez desnecessária e nociva! realmente as x não me dou conta de o quão nociva é! adorei seu texto para variar. Sairemos da concha Mestre! dica melhor n tem! caiu como uma luva...ahhh mas esse ae vou obrigar todos a ler.heuiaheailu
    grande abraço
    Att, Gabriel

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