domingo, 25 de abril de 2010

Crítica: Alice no Clichê de Maravilhas.


A tão aguardada versão de Tim Burton para o clássico literário (e Disney) "Alice no País das Maravilhas" finalmente chegou às telas brasileiras. Grandes promessas, muitas expectativas e uma enorme decepção, a começar pelo título ludibrioso; Alice não vai ao País das Maravilhas simplesmente, e sim volta a ele em um momento de crise existencial por ter que fazer escolhas sob a pressão da vida adulta que se aproxima.
O público que esperava uma versão em live-action para o clássico Disney de 1951 deparou-se com um retrato pobre e pouco lúdico do conto atemporal de Lewis Carroll e a culpa se deve, basicamente, a uma estranha continuação que se perde dentro da história original.
O que se espera de uma sequência? Que ela dê continuidade aos acontecimentos mostrados no primeiro filme, e é exatamente nesse ponto, simples e básico, que o filme desanda. Não houve um filme anterior que justificasse o que se passa nesse. Para os que conhecem a história talvez não haja confusão em relação aos personagens, mas para o espectador menos familiarizado com o País das Maravilhas, o que fica na superfície é uma teia complicada, uma série de personagens e acontecimentos perdidos.
O ponto alto do filme fica a cargo da caracterização dos atores; Helena Bonhan-Carter nunca esteve tão diferente e tão igual ao que costuma interpretar, em contraponto, Johny Depp encarna um pouco carismático e não tão maluco Chapeleiro; A busca por alter-egos para esses dois atores demonstra sinais de cansaço.
A maquiagem e o figurino são dignos da nota máxima, já os cenários... Por vezes estonteantes, por vezes precários e pobres. A Fantástica Fábrica de Chocolates de Burton é mil vezes mais mágica e colorida que seu País das Maravilhas, embora sua assinatura seja notória em cada segundo do filme.
A exibição em 3D não se justifica. Na verdade, atrapalha e muito o andamento do filme; Muitos detalhes se perdem e poucas cenas são valorizadas pelo efeito e, vale comentar, os gráficos digitalizados não trazem nenhuma novidade, nada que já não tenha sido visto antes.
Com tantas imperfeições e defeitos, curiosamente, ou ironicamente, o que matou "Alice no País das Maravilhas", em suma, foi a história. Sequências, mesmo que não-intencionais, não funcionam como os filmes originais, ainda que a proposta desse filme seja justamente ser único. Ou se trata de uma sequência ou se trata de um filme único, ser ambos é impossível.

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