segunda-feira, 5 de abril de 2010

O vencedor tudo leva.

Tentei várias vezes escrever sobre o Big Brother Brasil, mas acabei desistindo por nunca ter conseguido convencer nem mesmo a mim. Engana-se quem pensa que é fácil falar sobre um programa que puxa um tema tão denso; A empatia humana. Sim, é um programa primeiramente sobre empatia, depois vem o favoritismo. Aquele que dispertar maior sentimento de igualdade ou proximidade com o público, torna-se o favorito, isto é, não basta ter atitudes corretas, o público precisa se encontrar no participante.
Agora, quase uma semana após o fim da 10º edição do programa, decidi finalmente me pronunciar. A poeira baixou, as pessoas começaram a esquecer, mas ainda se trata de um assunto em vigência.

- Você escrevendo sobre BBB? Logo você que preza pela nobreza dos temas abordados em seus textos?
- Qual o problema?

Vejo como hipocrisia a posição de algumas pessoas em relação ao Big Brother. Quem não gosta por não ver graça, pois bem, aceitável mediante uma breve justificativa. Quem diz não assistir por se tratar de um entretenimento barato e razo, sem mérito algum e alienador, com o perdão da classificação, não me convence e se passa por demagogo.
Longos discursos, posicionamentos inquestionáveis e motivos nobres para justificar o porque de não assistir o Big Brother quando o programa depende exatamente da demagogia. Irônico, não? A empatia do público surge de acordo com o que o participante fala, o que pode ou não ser verdade e, mesmo com a repercussão do programa, ás vezes é difícil comprovar, fora o circo montado pela mídia em torno daquelas doze ou dezessete pessoas. Todos sabemos que é impossível concorrer a 1,5 milhões de Reais, sendo filmado 24h por dia, sendo pura e simplesmente o que se é fora daquela situação.
A vida é uma eterna competição, porém, aqui fora a coisa é menos instantânea e muito mais velada. Digo, nada é muito claro, nos baseamos no que vemos, ouvimos e sabemos para guiar nossos instintos e ás vezes ele tem vontade própria, o que nos faz acertar e errar por falta de lógica.
Sendo assim, a empatia sentida pelo público é um pouco... Falsa. Não que o participante favorito seja um mentiroso ou que a emissora seja tendenciosa na edição do que vai ao ar na TV aberta, embora saibamos que isso acontece. É falsa por se basear numa postura adotada dentro de uma situação em que nós mesmos não saberiamos como lidar. O favorito é sempre o que menos foge do que normalmente é, ou seja, aquele que não consegue expandir muito sua forma de agir. Isto o torna um personagem verossímil para o público, cativando os mais ignorantes e conquistando os mais desconfiados depois de certo tempo.
A demagogia termina quando o discurso demagogo torna-se real pelas mãos de seu autor. Como saber se o nosso favorito era realmente aquilo que passava dentro do programa se não o acompanhamos mais depois de sua eliminação? Instinto, falta de lógica, empatia. Se o favorito se perfez, erro. Se agiu de forma sincera, acerto. Perdemos alguma coisa nessa escolha? Talvez alguns minutos discutindo sobre o programa com amigos, mas nada além disso.
O Big Brother não é um entretenimento barato. Ele explora o lado voyer, fofoqueiro e mesquinho das pessoas. Por três meses coloca o público dentro da vida de desconhecidos e dá a ele um poder buscado sempre na vida pessoal: o de eliminar aquele participante desagradável. Quem nunca quis eliminar um amigo sangue suga? Quem nunca quis se vingar de um fofoqueiro? Quem nunca, nem por um momento, quis ferrar uma pessoa boazinha? Eu, particularmente, abomino pessoas boazinhas. Chamo-os sempre de "pessoas-tom-pastel".
A proposta inicial era fazer um BBB democrático, com pessoas de várias origens, educações e posições sociais, mas todos sabemos que, nas entrelinhas, esse Big Brother pretendia ser gay.
Esperava-se que os participantes da "tribo dos coloridos" fizessem a diferença e se tornassem favoritos ao prêmio. Uma união de pessoas, completamente diferentes entre si, em prol de uma propaganda fajuta contra o preconceito. No final, o vencedor foi justamente a antítese da premissa, isso prova que o instinto é muito mais forte que a lógica.
Se Dourado ter vencido foi um erro ou um acerto de seus torcedores, me limito a declarar apenas que foi o único participante que despertou amor e ódio no público, sem nenhum meio-termo. Venceu o intenso.

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