segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Carteiro; A Carta: o cinema brasileiro vai mudar.



Não faço a menor questão de esconder minhas preferências como cinéfilo, classificadas pelos mais entendidos como "pobres", e nem tenho pudores quanto as minhas restrições em relação ao cinema nacional, mas nessa crítica precisarei abrir um enorme parenteses e tirar o chapéu, ainda que acredite piamente nos malefícios do monopólio da Globo no que diz respeito ao nosso produto cinematográfico.
Hoje, dia das mães, fui ao cinema assistir ao filme "Chico Xavier ", uma espécie de biografia filmada que se baseou em um livro sobre a personalidade título. Assumo: fui para agradar dona Rosana, minha mãe, que cresceu ouvindo falar das proezas duvidosas do médium mais conhecido no Brasil, mesmo após sua morte em 2002.
O filme cumpriu muito bem seu papel, embora seja notória, ainda que para os leigos, a ausência de detalhes e os furos deixados na trajetória de Chico ao longo de sua vida. Pelo menos foram honestos, nos primeiros segundos de filme deixam claro que muita coisa foi deixada de fora.
A estrutura pela qual a história é contada parece clichê, e o é de fato, porém, foi o clichê mais bem reaproveitado dos últimos anos. A forma como o filme é trançado constrói muito bem as duas horas de duração do que pode ser considerado um novo clássico brasileiro, uma prova de que podemos e devemos evoluir na sétima arte.
Queriam contar uma história, enaltecer um homem e registrar amadoramente uma experiência única, que só pôde ser conhecida totalmente pelo já falecido protagonista.
A infância pobre, sofrida, apesar de triste, foi levada ás telas com certa beleza e um a leveza necessária ao tom que se pretendia. Nem mesmo a madrinha malvada, munida de um garfo afiado, foi capaz de ferir a aura que buscavam; Até os vilões mais detestáveis tornaram-se empáticos.
O ponto fraco do filme ficou na juventude compreendida entre a adolescência e a fase adulta de Chico; É aqui que o filme se arrasta, cansa. Ainda que cansativa, essa parte da história foi essencial para que viesse o desfecho, pouco surpreendente, porém, tocante e sensível. É um filme belo e merece ser assistido com os mesmos olhos de quem foi assistir "Piaf - Um Hino ao Amor", "Avatar" e "2012".
Chega desse preconceito com o que é nosso. Se temos um cinema limitado, violento e marjoritariamente cômico ou favelado, por outro lado, caminhamos na direção das grandes produções, com direito a muito sentimentalismo barato e efeitos especiais dignos de Hollywood. Que venha "Nosso Lar", trailer exibido antes de Chico surgir na telona.