terça-feira, 1 de junho de 2010

Trauma.

Relembre. Aquele ano, aquele mês, aquele dia, aquela hora, aquele instante... Relembre. Novamente sinta a dor, o pavor, a raiva, a angústia, a impotência, a marca. Reviva o rancor.
Está bem viva aquela memória? Aquela fraqueza que te fez sentir o estômago descer, a garganta apertar e a pele arrepiar; Tudo isso precisa estar à flor da pele. Sinta por alguns minutos e depois pense com você mesmo: fez sentido?
Dizem que a vida passa rápido e que precisamos aproveitá-la ao máximo, fazer cada segundo valer a pena, mas a verdade é que uma vida dura muito e fica gravada na eternidade. Dentro desse universo, particionado em anos, há uma infinidade de acontecimentos, e alguns desses deixam uma marca.
Tudo de ruim que nos acontece, querendo ou não, deixa uma marca, uma cicatriz que, mesmo sarada, está ali para te lembrar do ferimento anterior. Essa cicatriz substitui uma pecinha, uma que era sua e foi perdida para dar lugar a algo novo, a algo inicialmente ruim. Assim, temos um trauma. Um trauma emocional, físico... Todas as pessoas tem algum tipo de trauma; Em algumas é algo visível, já em outras passa completamente desapercebido.
Há uma fome por viver intensamente, uma onda que assola o mundo inteiro que está se preparando para dias ruins. Numa realidade onde não se permite jogar fora qualquer segundo que seja, é difícil dar a atenção necessária aos traumas. Contraditório, não parece? Se a idéia é viver intensamente, como permitir o cultivo de limitações? Pois, sim, traumas necessariamente geram limitações.
Cada vez mais as pessoas se preocupam em cuidar da mente, da psique, do interior. Terapias, tratamentos alternativos, muita superação e muitas lágrimas. Mas o trauma continua, firme e forte, e não há psicólogo na Terra ou Deus no céu que faça o infeliz vir a falecer. Como fazer? Não se pode perder tempo com problemas, o prazer e a plenitude são bens de primeira necessidade!
Calma, sem alardes. É tudo mentira. Você pode desperdiçar tempo sim, você não vai morrer amanhã e ainda que morra, ter ou não escalado o Monte Everest não vai fazer com que sua vida tenha valido a pena.
A vida comporta tudo o que é possível e, vez ou outra, até o inexplicável; A vida também é triste, a vida também acolhe momentos ruins, portanto, suporta traumas sem prejudicar quem quer que seja.
Ninguém consegue compreender que o trauma é necessário tanto quanto sua superação. É burrice viver até o último dia de sua vida carregando um trauma, mas é ignorância acreditar que o sucesso vem da superação rápida ou instantânea. Supere sim, mas sem pressa.
Veja bem, não estou dizendo que deve acostumar-se a viver com essa ou aquela limitação, muito pelo contrário, livre-se dela assim que possível. "Assim que possível" é a chave da questão. Se sua recuperação vai demorar pouco tempo ou tempo demais, só o que você fizer para que ela tenha êxito vai dizer. Aprenda que é importante para o ser-humano ser dramático, sofrido, chorão.
Procure a ajuda que achar mais eficiente, seja ela terapia ou uma ocupação que o engrandeça, mas nunca feche a porta para a tristeza, pois é ela que faz os bons momentos valerem a pena. Assim, poderá morrer em paz, tendo consciência de que aproveitou de tudo um pouco, que nada lhe faltou. Na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe. Amém.

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