domingo, 4 de julho de 2010

Seja insano.

O equilíbrio, plácido amigo que traz paz à vida, que faz da tormenta uma réles chuvinha. Ninguém sobrevive sem equilíbrio. Poderia falar do equilíbrio físico, no que tange a saúde, mas prefiro me ater as emoções, cheias de predicados, mediadoras entre o mundo e o espírito, pois nada mais são do que as reações provocadas pelas ações terrenas. Equilíbrio emocional: o segredo de se viver plenamente.
Para, corta.
O que é equilíbrio emocional? É manter sempre os pés no chão, não arriscar a saúde mental expondo-se aos abismos do viver, é manter o controle sobre mente e corpo a todo custo...? Para muitos, o equilíbrio é sinônimo de controle. Controlar as emoções, ter as rédias da situação; Ainda que digam que o controle vem de aprender a lidar com os imprevistos diários, não negam jamais que o mais importante é não perdê-lo. Errado.
Quem nunca amou demais não saberá jamais o que é sentir o coração sangrar, acelerado e estressado. Amar demais, beirando a loucura, deveria ser capítulo obrigatório na vida de cada pessoa. Rasgar fotos, picotar roupas, marcar a pele do outro com socos, tapas, arranhões... Amar demais também pode causar dor física. Um trauma intenso, sofrido e inesquecível, porém, valoroso.
Odiar é um termo muito forte. Pois odeie, e odeie com muita força. Sentir os punhos fechados, com as articulações tensas, veias saltadas e ossos travados é divino. O ódio é percebido principalmente pelo olhar; O olhar cheio de ódio é tão profundo e negro quanto o espaço. Ele não perdoa, ele não esquece.
Trepar demais... Sem frescuras, estamos entre adultos: trepar é bom. Trepar demais, melhor ainda. Ficar com o corpo dolorido, a cintura quase deslocada, as costas marcadas e o pescoço cheio de hematomas; Sacanagem demais é ótimo, e não precisa daquela ligação do dia seguinte, porque sexo sem amor conserta qualquer santinho, qualquer menina pura.
Pensar demais... Não pense não, deixe para amanhã. Se alguns presidentes conseguem levar a vida assim por quatro anos, um dia sem pensar na sua vida não vai te matar - o Brasil está aí para comprovar essa teoria.
Permita-se os prazeres dos exageros, se auto-destrua um pouco. Quando tiver atingido a meta, quebrando todas as suas barreiras pessoais, passando dos seus limites e violentando o seu espírito, com sua essencia estraçalhada, aí sim, meu caro, poderá finalmente começar a se conhecer melhor, e então nascerá o equilíbrio emocional (nada mais sensato, afinal, ele precisa de base). Mas, por favor, não seja burro: não vá se matar por exagerar tanto. Burrice demais não acrescenta nada.
A beleza maior vem da imagem reconstruída e não da obra original; Sábios são os olhos de um idoso, vazios são os olhos de um neném. Seja insano: torne-se uma pessoa equilibrada.

Um comentário:

  1. Rs rs , a parte do "trepar" me lembra um belo texto de Luis Fernando Veríssimo: Dar é dar !
    "Dar é dar.
    Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.
    Mas dar é bom pra cacete.
    Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
    Te chama de nomes que eu não escreveria...
    Não te vira com delicadeza
    (...)
    Mas dar é dar demais e ficar vazio.
    (...)
    Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito (...) "

    Adorei o texto, principalmente pq exagerar é bom mas nem tanto.
    Rs

    Beijos

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