terça-feira, 27 de julho de 2010

Trilogia do tempo: amizades.

Ele é eterno, incontável e talvez o melhor dos remédios, mas, sobretudo, o tempo é relativo. Pela necessidade de organização, o homem o criou para contar; Segundos, minutos, horas, dias, meses, anos, séculos, milênios... Repartições que separam os acontecimentos, estabelecem fases e períodos, guardam em ficheiros a história da vida, uma história sem fim.
Diminuindo a grandiosidade de sua importância, saindo da história universal, vamos analisar o tempo como dádiva individual, o espaço particular de cada ser-humano. Toda e qualquer pessoa tem direito a ter seu tempo, e dele fazer o que bem entender, administrando sua passagem pelo mundo da maneira que achar mais adequada.
Alguns conquistam em meses, ou até mesmo dias, o que para outros leva toda uma vida para acontecer, e isso traz a velocidade dos acontecimentos - se todos estivessem sincronizados na mesma velocidade, na mesma sintonia, tudo desandaria, a vida não seguiria em frente por tantos caminhos, o que tornaria a realidade em uma chatice de se viver. Se todos fossem iguais, quais seriam as opções? Nenhuma, mesmice e felizes para sempre.
É natural do ser-humano se impor para seus semelhantes, ainda mais quando se fala de amizade; Amigos estão dentro do tempo de todos nós e tentam fazer a diferença, misturando o tempo deles ao nosso. Desse choque, há a troca de experiências, o aprendizado sobre as diferenças, a análise daquele que nos cerca; Respeitar o tempo daqueles que escolheram caminhar com você vida afora é fundamental para que a amizade exista, ainda que, infelizmente, muitos se percam na linha cronológica e acabem indo por direções opostas à daqueles que os amam. Amigos também podem ser passageiros.
Se encontramos alguém especial, tememos sua perda. Não queremos que aquela participação dure por um período apenas. Quando isso acontece, temos o chamado "melhor amigo", cujo cargo dificilmente é substituído, ainda que outras pessoas igualmente encantadoras fatalmente possam surgir. Nesse ponto é preciso ter cuidado com o tempo, pois um simples acelerar dos acontecimentos pode abalar toda a estrutura, colocando em risco o meio comum, aquele espaço onde a amizade permanece intacta. Cabe aos responsáveis por esse espaço lutar para que ele mude, sem que seja necessária sua destruição.
Quem espera ser acompanhado sem ceder, sem compreender aqueles que o cercam, tende a sofrer perdas, num ciclo curioso que se repete a cada determinada passagem de tempo. Podem até não ficar sozinhos, mas a solidão é tão relativa quanto o tempo. Se escolhem gastar o seu levando em consideração única e exclusivamente a própria existência, girando em torno do seu mundinho particular apenas, deixam de crescer, de acrescentar, de evoluir... Congelam sua realidade em um universo paralelo onde todos os coadjuvantes são dispensáveis e substituíveis. Viram pessoas sem graça.
O tempo pode ser relativo, assim como tudo aquilo que não é palpável, tátil, mas não tarda jamais em trazer de volta aquilo que foi buscado. O clichê dos clichês é bem uma verdade: quem planta sementes de vento, colhe tempestades.
Uma última metáfora... Imaginem uma aldeia nômade. O grupo decide mudar de local pois sabe que aquela região oferece conforto para aquele momento apenas, então, é melhor seguir em frente enquanto o trajeto ainda é tranquilo. Um dos integrantes decide ficar porque sentiu-se confortável naquele campo, naquele local. Conquistou uma comodidade tão agradável que não vê sentido em sair dalí, logo, acaba ficando para trás. Eis que o tempo muda, chega uma tempestade e destroe sua cabana, matando seus animais e arrazando toda aquela falsa sensação de paz. Enquanto isso, dias à frente, o grupo desfruta de um outro espaço, tão agradável quanto o anterior, mas não igual, não no mesmo lugar.
Pode ser uma metáfora muito mal construída, pobre e sem graça, mas explica exatamente o que acontece com as pessoas que se acomodam no tempo; Ficam sozinhas e precisam lidar com as dificuldades da vida da maneira mais difícil, o que é desnecessário. Cuide bem do seu tempo, respeite o seu relógio, mas não deixe de avançar com o grupo porque acha que encontrou uma maneira agradável de disfarçar sua falta de pulso.

Um comentário:

  1. Adorei!
    Realmente precisamos sempre estar progredindo, avançando para alcançarmos melhorias tanto na vida pessoal, tanto na busca de melhorias para as necessidades básicas do dia a dia.
    Avançar Sempre, parar no tempo ou se acomodar no dia de hoje? JAMAIS!!!

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