segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Chanchinho.

Existe há tanto tempo que nem lembro quando ele apareceu.
Também pudera, o ganhei quando ainda usava fraldas.
Quando pequeno (por volta dos três anos), ao acordar, o abraçava e colocava no peito, tapando a metade de baixo do meu rosto. Vergonhas de um ser-humano que sempre detestou acordar.
Sobreviveu a viagens, mudanças, alguns meses de separação entre um natal e um carnaval (esquecido na casa de campo), choros infindáveis, todos os dramas de minha vida; Tornou-se a própria encarnação das minhas lágrimas de tanto que as enxugou. 
Minha alegria e minha tristeza, meu soninho e meus pesadelos...
Foi reformado algumas vezes, sempre mantendo o forro original, algo que funciona como sua alma. 
Uma das muitas manias que ainda carrego da minha infância. 
Meu sono não é o mesmo se ele não estiver sobre meus olhos.
Nojento ou não, pouco me importa se já estamos na vigésima geração de ácaros, não pretendo largá-lo até o dia de minha morte.
Doentio ou fofo, o que for mais adequado, ele ainda carrega o nome que dei quando mal conseguia falar, ainda que minha primeira palavra tenha sido "Cláudia".
Chanchinho, o pouco da criança que ainda vive aqui dentro. 
Comecei a lacrimejar, paro por aqui. 


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