sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Deus - lado A.

Há um bom tempo venho querendo escrever um texto sobre Deus... Sim, esse será um texto de cunho religioso. Calma! Não precisa desistir dele agora, ainda nem comecei. Como sempre faço tudo de uma forma diferente, vou falar a meu modo. Não será um único texto, como pode-se observar pelo título haverá um segundo texto, o lado B da história - e será esse o mais interessante (e agressivo), creio.
Por que somos tão descrentes? Sei que a vida é feita de surpresas, o improvável move as areias do tempo, não existem milagres, existem coincidências... Será que tudo é mesmo tão solto assim? Até a sensação de liberdade que me toma quando olho para o céu, tão profundo e encantador (um belo adorno para essa redoma de proteção que permite ao nosso planeta a vida), me trás esse questionamento: Deus não existe mesmo?
Porque, sim, vivemos numa era onde cada vez mais Ele é tratado como lenda, fraqueza, ou até mesmo, ignorância. A lenta queda dos valores católicos, que limitaram monstruosamente a mente da sociedade brasileira, comprova o que estou dizendo.
O que antes era absurdo, começa a forçar aceitação, faz barulho, grita por igualdade. Questionam, obrigam, imploram, emocionam... É o brasileiro concientizando-se de que, antes de vestir o verde e amarelo na Copa, ele é humano. Humano. É, o brasileiro é humano.
Seu relativo atraso em relação às demais culturas começa a tornar-se um peso dispensável, provocando uma mudança de comportamento na população, o que é reforçado pela resistência; Sempre que uma grande revolução de aproxima, a resistência se faz presente das mais diversas maneiras (normalmente, apelando para a violência); Fazem birra, gritam, protegem-se atrás de argumentos fracos, batidos, incoerentes... É o medo da mudança falando mais alto, é a realização de todas as suas inseguranças.
Toda violência está ligada diretamente a algum tipo de medo e manifesta-se justamente quando a pervercidade do lado animal fala mais alto; Auto-proteção, um instinto irracional. Se o mundo mudar, alguns podem não conseguir acompanhar, e ninguém quer ficar para trá, não é mesmo? Batem de frente, aproveitamque o processo está apenas se aquecendo para atacar seu desenvolvimento.
Quando penso em Deus, automaticamente, milhares de dúvidas me vem à cabeça, todas histéricas, abafando os sons a minha volta. Tenho medo Dele, pois acredito em sua existência (muito embora minha fé seja extremamente particular, personalizada  por todas as experiências de vida que acumulo e por todas as observações que faço sobre o mundo que me cerca). Apesar desse medo, reconheço que, se é capaz de fazer grandes estragos, obedecendo a seus planos (seja lá quais forem), também é capaz de realizar grandes feitos.
Adão, Eva, Moisés, Maria... Coadjuvantes, possíveis personagens, erros de interpretação, pouco me importa. Não dá para acreditar que aqui estamos apenas por causa de uma escala evolutiva, uma soma química que acidentalmente deu certo.
 Não vou dizer também que acredito no que é dito pelo homem; Tenho pé atrás com todas as religiões, pois onde há a mão do homem, há justamente o maior dos defeitos dele: o egoísmo, egocentrismo; O ego.
Andei, andei, andei... Não cheguei a lugar nenhum. Vou encerrar explicando porque resolvi tocar nesse assunto agora.
Na última quarta-feira, recebi uma ligação, e por ela um portão dourado imenso se abriu para mim. Não é nenhum segredo que estou querendo abandonar o curso de Jornalismo, e todos os que são mais próximos sabem que penso seriamente em me jogar em Desenho Industrial.
O fato é que, de mãos atadas pela faculdade, passei por meses de crise, de desocupação e desinteresse, e logicamente me abalei por isso. É horrível não saber o que fazer com o futuro que lhe aguarda, sobretudo quando a necessidade de produzir é essencial à sua felicidade plena.
Por uma virada drástica e bizarra do destino, um novo caminho se abriu a minha frente, como se fosse mágica. Sou controlador, sou medroso, inseguro e desconfiado, a esmola está sendo muito boa, meu santo grita por provas que a tornem aceitável... Sei que sempre pagamos um preço alto por nossas escolhas, sejam boas ou ruins. Quero saber qual será o preço que pagarei caso passe por esse portão dourado, mas verdade seja dita: não tenho muito o que perder, seja lá qual for o resultado.
Por isso voltei a pensar em Deus e me motivei a escrever esse texto. Foi a ligação certa, com a proposta certa, em termos certos, no momento exato. É bom demais para ser verdade, mas, por que não acreditar?


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