segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Solto.

Sem metas ou horizonte à vista, esquecer o controle e deixar de procurar terra firme. O balanço do mar é sedutor, sobretudo quando não se faz idéia de onde ele poderá te levar. O incerto promete tanto, oferece muito mais adrenalina do que o porto seguro, empolga, incita, dá um gostinho salgado e temperado à vida.
Num cenário onde tudo parece espetacular, é difícil chocar-se ou iludir-se com alguma coisa. Tudo é fantástico.
A nova cara da vida noturna nessa cidade tão limitada, os novos restaurantes cheios de sabores desconhecidos, nem mesmo a praia, velha companheira, parece a mesma. O cinema cada vez mais inteligente, menos maquiagem, mais conteúdo.
A política alçando novas fronteiras, a roubalheira continua, mas agora preocupa-se em achar belos disfarces; Todo descaramento é falta de respeito. Façam a merda, mas disfarcem o cheiro; E agora o estão fazendo.
A sociedade mudando sua cabeça, abrindo-se ao que já é vanguarda, admitindo o que antes via como falha. Ainda há a resistência, a ignorância coletiva, mas a cada dia que passa, sem forças, ela perde um integrante e ganha um abraço de compreensão.
A estética humana mantendo cada vez mais a juventude física; Creminhos, ácidos, botox, laser, peeling, plástica... Lindas máscaras, sempre retocáveis, nunca uma obra de arte finalizada; Nenhuma obra de arte pode ser considerada finalizada, para seu autor, há sempre o que melhorar. Nesse caso, a própria obra grita por uma intervenção; O clássico grego é o objetivo, mesmo que se percam alguns braços.
Em meio a isso tudo, observar o lento caminhar do mundo a um possível futuro promissor me incomoda, me alarma, me deixa cada vez mais certo de que o balanço do mar é meu lugar. Há muito deixei de acreditar no que salta aos olhos, há muito procuro a base de tudo. E não vejo base alguma.
Uma tristeza profunda, uma inconformidade com a realidade, eis as motivações dessa humanidade tão pequena para que sinta-se mais agradável. É tudo mentira, é tudo teatro. Vamos todos morrer mesmo.


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