sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Os seis passos em direção a solidão.

De nenhum me arrependo, de todos trago marcas. Boas cicatrizes que servem como lembranças de filmes que vivi; Tenho vida de cinema.
No primeiro, o que era de se esperar. Algazarra, risadas, pouca seriedade e alguma competição. Como me irritou... Como me estressou... Cheguei a ter tremiliques histéricos em algumas ocasiões. Unidos por um filme, separados pela idade mental e pela imaturidade. No final, o reencontro pacífico e cômico, irônico e libertador. De você eu sinto saudades.
No segundo, muitas reviravoltas. Duas idas, duas vindas, muitas broncas, comparações, madrugadas bêbadas, suor de boate e uma bailarina atropelada. Pouco tempo de união para muitas experiências. Saudades? Creio que não, mas sinto um carinho sarcástico; Gosto de saber que está hoje em dia como previ que estaria, anos atrás. Maldade minha? Não. Fui lúcido apenas, e gosto disso.
No terceiro, quanta enganação. Viagens insólitas, velhinha vidente na muralha da China e um Zé Pilintra que precisei expulsar de casa posteriormente. Me deixou o vício do cigarro, a descrença nas boas intenções de pessoas mais velhas e alguns bibelôs perdidos entre meus pertences. De você, sinto apenas medo.
O infernal quarto passo. Uma batalha que levou pouco mais de um ano da minha vida; Um ano que vivi intensamente. Um ano que foi praticamente perdido. Não digo que não me ensinou muito, o considero o  melhor professor que tive, mas conseguiu destruir a admiração e devoção que lhe prestei; Mostrou-se vazio. Bastou um breve contato, anos após o holocausto, para que eu percebesse o quão merda você é. Esperto? Muito. Safo? Ô. Forte? Não. Seria incapaz de lidar com as consequências de seus atos, caso descobrissem sua verdadeira face. Não passa de uma farsa muito bem montada e, curiosamente, acabou se tornando o que justamente mais criticava; Um sanduíchão de ovo.
O quinto passo: a estrada de ovos. O mais longo de todos, deveria ser o mais belo, a pessoa que deveria estar cravada para sempre no meu coração. Quando mais precisei de ti, houve a enorme decepção. O grande ser-humano que pensei conhecer se mostrou mesquinho, incoerente e malvado. Morde e assopra, lança o veneno em meio a risadas e a uma simpatia forçada. No final, o viadinho de cristal te deu uma bela rasteira ao se mostrar forte, seguro e dono do próprio nariz. Bem feito.
O sexto e último - até então. De uma compreensão divina, envolvente e inebriante. O toque, o beijo, o gosto, o suor do sexo; Encatador, frágil, dócil, sofrido, acidentado; Fez grandes promessas e pouco construiu. No final, foi o pedaço de carne que eu precisava para saciar minha fome após tanto tempo sem comer o prato que mais me agrada. Posso não ter percebido isso em um primeiro momento, posso até ter sofrido e não nego o incômodo de sua lembrança; Ego ferido. Apesar de tudo, pelo menos eu gozei.
Nunca foi tão bom estar sozinho. Nunca houve melhor companhia para mim do que eu mesmo. Quando a caminhada vai recomeçar e quando será o próximo passo? Não faço a menor idéia. Sei que, depois de tantas revoluções russas, lágrimas e frustrações, se Lúcifer me pedisse em casamento, eu aceitaria; Estou mais do que preparado para a guerra. Foram os seis passos mais bem dados de toda a minha vida.


3 comentários:

  1. Afiado...ou sincero ahhaha textos do mestre gui lov lov ._.

    Seis passos para o paraíso¿!
    Como Arthur S. já dizia "a solidão é a sorte de todos os espíritos excepcionais"

    Continuo atento viu! Abraços

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  2. é olhar pra isso tudo e pelo menos ter a certeza que viveu, né?

    to 6 passos atrás, amigo.

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  3. Caraca. Cê escreve bem, hein? Ótimo texto!

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