quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Então.

Precisei abrir o blog em sala para mostrar uma imagem salva nele e, bem, pelo Google eis que me aparece o Whatever Hall no primeiro link com a seguinte citação (clique na imagem para ampliá-la):










É muito nível, não é?
Classudão.

SEM MAIS.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Parte desse mundo.

Falar sobre programas de entretenimento comercial sempre é complicado, sobretudo quando o programa em foco é de apelo popular exagerado. Ano passado escrevi um texto depois da final do Big Brother Brasil 10 (após inúmeras tentativas durante o programa) falando sobre o vencedor da edição (Marcelo Dourado) e fazendo um balanço sobre o que o levou ao favoritismo do público. Talvez seja um dos meus textos que eu mais odeie; Ficou mal escrito, inconsistente, cheio de contradições e incoerências... Era notório meu desconforto ao falar sobre o assunto, ainda mais quando o público escolheu como vencedor o participante que mais amei e odiei em todas as edições. Como não curto muito voltar a textos anteriores à fim de consertar o que faltou ser dito, hoje volto a me jogar dentro do que é oferecido pelo BBB, mas sob uma perspectiva que entendo muito bem. Ao invés de falar sobre o ganhador, falarei do primeiro eliminado da 11ª edição... Ou melhor, da eliminada.
É bem verdade que quase não assisto televisão, tendo contato apenas com alguns tele-jornais, cenas soltas da novela das 21h e, vira e mexe, após uma noite em claro, um pouco da cara esticada da Ana Maria Braga (gosto de sua apresentação), fora, é claro, minha amada série "Law & Order: Special Victims Unit". O fato é que sempre que o Big Brother volta, involuntariamente acabo o acompanhando. Luto contra comentários no Twitter e sempre fico com uma certa ressaca moral depois de perder preciosos minutos do meu dia lendo as piadas ácidas do blog "Te Dou Um Dado?"; Não, não tenho vergonha em admitir que gosto do programa. O que gera essa incontrolável ânsia por não assistí-lo é a incapacidade que observo nas pessoas em julgar o caráter dos participantes. Nunca concordei com nenhuma das premiações e em onze edições, digo que, ao meu ver, poucas peças raras passaram pelo programa, fora toda a manipulação que existe em torno da votação, edição e pseudo-favoritismo. Não confio, mas acabo cedendo. 
O que me chamou para essa edição foi uma novidade que durou pouco, mas acredito que ainda vá repercutir na mídia por um bom tempo. Depois da vexatória participação do último núcleo gay do programa na edição passada - Sérgio, fútil, desmiolado, alienado e apelativo, e Dicesar, completamente perdido nas próprias contradições - pensei que a Globo não pudesse versatilizar ainda mais a variedade de tipos e orientações sexuais dos jogadores. Me enganei. Em 2011, a casa recebeu uma transexual.
Em um país retrógrado, conservador e machista, isso obviamente não passaria em branco. Chamaram a moça de travesti, traveco, viado, bichona, fizeram piadas sobre a vaginoplastia (Google it, loser), tudo o que era de se esperar... Não vou dissecar as diferenças entre cada orientação existente pois espero, sinceramente, que as pessoas já estejam entendendo melhor que travesti, drag-queen, transexual, homossexual e bissexual NÃO SÃO A MESMA COISA E NÃO SE TOCAM EM MOMENTO ALGUM, mas vou falar sobre a Ariadna que pouco assisti.
Insegura em revelar sua condição, a jovem se esquivou das desconfianças, inventou desculpas e até assumiu que era prostituta para não ter que falar sobre seu passado em masculino... Pouco me importa se ela é ou não prostituta, não tenho esse tipo de preconceito e muito menos acho que seja uma profissão que mereça tantas retaliações. O que me incomodou foi perceber no olhar dela um brilho familiar, algo parecido com medo, quando as suspeitas se agravaram. 
Hoje ela foi eliminada com 49% dos votos, dividindo os outros 51% com os dois insossos participantes que enfrentaram com ela o mesmo "paredão". Fica difícil dizer que o preconceito não influenciou, mas também é complicado dizer que ele fez tanta diferença; Foi um paredão politicamente incorreto: uma negra (CHATA PRA CARALHO), um negro gay (que não convence com aquele chapeuzinho panamá escroto) e uma transexual também negra. 
Se Ariadna foi julgada por ter sido homem no passado ou por não ter falado de primeira sobre sua realidade, nunca saberemos, mas que sua participação foi fraca, isso não podemos negar. Talvez por ter tentado se proteger, talvez por ter tido apenas uma semana para se mostrar, talvez por ser mais uma figura chata dentre as tantas dessa edição... Não sei, mas sinto uma queda forte para o preconceito. Não podemos, é claro, entregar o favoritismo à ela unica e exclusivamente por sua história de vida. Ou podemos? Devemos?
O grande erro em relação ao Big Brother é encará-lo como programa beneficente e de cunho instrutivo. Não, não é o bonzinho que merece o prêmio final segundo os preceitos originais do programa (com formato original americano). A idéia é premiar o melhor jogador, aquele que conseguir contornar todos os paredões, colocando a maior parte dos jogadores a seu lado, por entre seus dedos, como cartas úteis em um jogo de baralho. 
No Brasil, onde a maior parte da população é pobre, o favoritismo ficou por anos em cima dos jogadores de origem e vida mais humilde, caracterizando a classe dos "pobrinhos do BBB" ou "coitadinhos do BBB". O espírito do "Bolsa Família" dominou o programa por anos até que a Globo reformulou os critérios de seleção e parou com os sorteios de participantes. Começaram a escolher a dedo quem entraria para o jogo, misturando ao máximo pessoas com diferentes estilos e histórias de vida, e foi aí que a coisa ficou interessante. O primeiro vencedor após tal mudança entrar em vigor comprova essa teoria. Diego Alemão nada tinha de pobre coitado e graças a uma perseguição insana dentro da casa, acabou caindo nas graças do público e abocanhou a bolada final. A coisa ficou mais justa pois, afinal de contas, classe social não denomina inteligência e caráter, portanto, nunca deveria ter influenciado o voto popular. 
Tendo essa análise em mente, o que fazer com Ariadna? Premiá-la com a permanência no jogo por ter feito uma revolução pessoal violenta (que muitos não aguentariam fazer) ou eliminá-la por não ter jogado direito? Eu queria que ela tivesse ficado, e é aqui que começarei a falar sobre o tal brilho familiar no olhar.
Sempre alvo de críticas por seus discursos forçados e brincadeiras sem graça, Pedro Bial, finalmente, soltou o verbo em cima dos participantes logo na primeira semana. Duro e sincero, desconsertou a todos quando deixou claro que ninguém estava engolindo a atuação coletiva dos participantes onde todos fingiam se preocupar com o que a família pensaria de suas respectivas atitudes no decorrer do jogo; Talvez a que mais tenha se identificado com a crítica tenha sido a Michelly, aquela cheia de dramas para dar uns amassos na frente das trocentas câmeras, se protegendo atrás da opinião do pai quando, na vida real, já rebolou semi-nua em teste de propaganda de Guaraná; Bial falou bem uma verdade: ninguém gosta de "santo do pau oco".
Quando chegou a hora de eliminar Ariadna, Bial usou como parte do discurso, sabiamente e em descarada comparação, a personagem Ariel, do filme A Pequena Sereia, dos Estúdios Disney.
Quem conhece o conto original de Hans Christian Andersen entendeu a menção, quem assistiu apenas ao desenho clássico de 1989, bem, ficou na superfície do oceano.
A personagem do conto, sem nome originalmente, comeu o pão que o diabo amassou para alcançar um de seus sonhos: o amor do príncipe. Como assim "um dos sonhos"? A sereiazinha não queria ser humana apenas para dar uma surra de bacalhau no gostosão de calças justas? Não, meus amores. É verdade que rolou um "amor de pica" platônico, mas além de ter funcionado apenas como incentivo para que ela colocasse seu plano humano em ação, o príncipe não era seu único sonho. A sereiazinha queria também ser imortal.
Nunca conseguiu o amor do príncipe, mas por aceitar se sacrificar, transformando-se em espuma do mar, já que sua opção, caso o príncipe não a quisesse, era matá-lo, a sereia conseguiu a benevolência das ninfas do oceano e atingiu seu sonho máximo; Tornou-se imortal, apesar de ter abandonado o estado material de ser.
O conto "A Pequena Sereia" é um espelho direto da frustração de seu autor, bissexual mal-resolvido e sempre rejeitado (que inclusive liberou sua fantasia particular sobre um jovem conhecido na descrição do príncipe da fábula), mestre em contos de fada cheios de ideologia triste e valiosa. 
Por falar do abandono do amor próprio e da segurança pessoal em prol da conquista por um sonho maior e mais forte que a própria vontade, "A Pequena Sereia" é constantemente comparado a diversas histórias de transformações no período da puberdade, onde a sexualidade é descoberta (mas nem sempre é concretizada). 
O jovem que vai contra tudo e contra todos na busca por sua verdade nada mais é, inegavelmente, do que uma sereia que busca o imaterial. Claro, não precisamos limitar a personagens à históricos sobre a complicada descoberta da sexualidade em meio a uma sociedade machista, mas não devemos negar que, em comparação, são histórias que se aproximam bastante.
Assim como a sereiazinha de Andersen e a Ariel de Walt Disney, Ariadna renasceu para viver um sonho maior, e só Deus e ela mesma podem dizer o quão sofrido foi esse processo. 
É muito fácil fazer piadas sobre pirocas, até porque todo mundo curte uma piroca, seja heterossexual, homossexual ou whatever-they-supposed-to-be. Vão negar? Olha a hipocrisia; Desenhos em banheiros, bancos de ônibus, piadas infantis, bobas, meninos que se masturbam em grupo, comparam tamanho e forma, meninas que dizem que tamanho não faz diferença mas a primeira coisa que comentam com as amigas sobre o novo parceiro é justamente o tamanho da arma de fogo... Enfim, o pênis é um ícone mundial que quase sempre tem fins muito escrotos. 
Deve ser uma agonia indescritível nascer com um corpo que não reconhece como seu, tendo que lidar com o preconceito das pessoas que o cercam, com a estranheza de uma sociedade fraca e bitolada no que diz respeito a condição sexual das pessoas... Viver em um mundo onde o pau vale mais do que o homem, para um transexual deve ser o que para um evangélico seria o inferno, sem a opção de evitar arder nele.
Ela foi corajosa, apostou suas fichas, caminhou sobre mil facas e desistiu de seu príncipe encantado para realizar o que lhe era mais precioso, seu ideal mais alto. De homem, passou a mulher, sofrendo perdas irreparáveis, assim como a sereia que abriu mão de sua vida em troca do que lhe era mais importante; Ás vezes é perdendo que mais se ganha... Perdas e danos, lembram-se?


Já que o programa é tão popular, afirmo com certeza e pesar em meu coração que o Brasil teve a grande chance de lidar com seus fantasmas para crescer um pouco, revendo seus conceitos e valores, mas não aproveitou. Quem perdeu não foi a Ariadna, e sim vocês, seus adoradores de piroca.

OBS: não, eu não me identifiquei com ela porque sonho em ser mulher, muito pelo contrário até; A-do-ro ter um pau, essa coisa que todo mundo tanto endeusa. Me identifiquei porque me encontrei no conto da sereiazinha, e ele se espelha e muito na grande transformação que sofri em 2005. Qualquer dia desses eu escreverei o texto sobre esse processo e sobre o filme da Disney (que tenho por meu favorito).

SEM MAIS.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Fantasia.

Proibida e desejada, razão que não faz sentido.
Íntima e saborosa, um perigo se revelada.
Qual é a minha fantasia?
Qual é a tua fantasia?
Andar por entre nuvens, num caminho de arco-íris, a devorar doces querubins?
Falar indecências à uma freira menstruada?
Provar da boca do proibido e, sem nenhum cuidado, se lambusar com
seus fluídos?
Talvez seja usar suas idéias inacabadas para secar alguns rios...
Ou secar algumas idéias com rios inacabados?
Nas costas de uma vaca alada, jogar pedras nos famintos da Índia...
Vestido de Alcachofra, lamber o corpo de Hitler?
Fazer amor com você mesmo em pleno carnaval de Veneza?
Impossíveis, absurdas, incompletas, irracionais.
Fantasias...
Fantasias...
Minha fantasia é tão simples que, se revelada, estragará a aura psicodélica das imagens formadas pela leitura deste poema.
Pois trata-se de um poema psicodélico.
Se não conseguiu perceber, volte a primeira linha e recomece.
Transforme as imagens que enxerga nas palavras em fotos com as cores extremamente saturadas.
Fantasias têm cores vivas.
Fantasias sempre são saturadas.
Exageradas.
Mesmo quando simples, são exageradas...
Razão sem sentido, vacas aladas.
Minha maior fantasia?
É ser fantasia.
A fantasia de alguém.
E nela pintar e bordar sem as correntes que me prendem a essa vida material.
Minha maior fantasia é ser o protagonista do homem.
Da alma.
Da mente.
Causar sonhos.
Pesadelos.
Onipresença involuntária.
Pudor matinal.
Ser o inalcansável.
O absurdo.
E tu?
Qual é a tua fantasia?

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Art-Nouveau, Impressionismo e um pseudo-artista enlouquecendo.

Não, o blog não terá finalmente um tema definido, e se fosse ter, tenham certeza que eu não abordaria o mundo das artes; É divertido de vez em quando mergulhar nele para escrever sobre alguma coisa que gosto, outra bem diferente é limitar-se a ele - sou do tipo que odeia tudo que se torna fixo ou obrigatório.
Esse post tem um único propósito: trata-se de um trabalho que preciso mostrar a meu professor de Concept-Art no curso que estou fazendo. Achei engenhoso transformar o trabalho em post, até porque na minha casa não existe impressora desde 2004, sendo assim, cá estou, trazendo um pouco do que tenho visto em sala para o meu tão perdido blog.
Passando essa leve introdução, vamos ao que interessa... Os temas são Art-Nouveau e Impressionismo. Conheço, conheço... Assim como conheço a Lua, o fundo do mar... Sei que existem, mas nunca tive contato (consciente) direto com eles. E a santa Wikipédia (pouco confiável) me ofereceu alguma informação para dissertar sobre.
A Art-Nouveau (do francês, Arte Nova) relaciona-se diretamente com a 2ª Revolução Industrial, tendo seu auge nas décadas finais do século XIX e nas primeiras do século XX. A estética arquitetônica proveniente dessa 2ª revolução industrial impunha, basicamente, o uso de metais e vidros com fins ornamentais, sobretudo na fachada dos então novos edifícios; Talvez por isso muitos dos cartazes desse estilo tenham leve semelhança com vitrais coloridos.
Óbviamente o estilo não se prendia única e exclusivamente a arquitetura, afinal, arte que é  arte ataca qualquer segmento possível. O Art-Nouveu influenciou diretamente as artes gráficas, trazendo o advento da litografia colorida, um marco para a criação de cartazes e outros tipos de materiais impressos - contrariando as demais correntes ligadas ao modernismo, que tendiam muito para a pintura.
Por que a Art-Nouveau nasceu e de onde veio? Nasceu na Europa, recebendo nomes diferentes em cada país (na Itália, por exemplo, chama-se Floreale), e tinha uma proposta simples: fugir do tradicional, já tão conhecido pelo mercado moderno, com uma proposta explicada por seu tipo de traço (marcante e familiar); Curvas suaves, linhas concisas, assimetria, cores em tom apastelado e formas orgânicas (o que influenciou na sua classificação por arte exageradamente ornamental)..
Influenciado pelo Arts and Crafts inglês - que pregava a valorização do artesanato em contraponto à produção em massa que descaracterizava o produto artístico - e pela pintura japonesa (que valoriza o uso do espaço em branco e leves pinceladas em suas pinturas e obras gráficas), a Art-Nouveau é considerada um abre-alas para o design moderno, trazendo avanços para o design editorial e o design de marcas comerciais, sendo caracterizado (e muito lembrado) por seus antológicos cartazes modernos. Eis alguns exemplos:

The Stomach Dance, de Aubrey Beardsley.

Peacockskirt, também de Aubrey Beardsley.

La Troupe de Mlle Églantine, de Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec

E esse aqui está nomeado apenas como Jane Avril;
Não sei se trata-se da figura retratada ou do artista, mas que seja.
Segue uma pequena lista com os nomes dos artistas mais lembrados dentro desse estilo:
Aubrey Beardsley (1872-1898); Gaston Gerard (1878-1969); Alfons Mucha (1860-1939; Edvard Munch (1863-1944); Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901); Pierre Bonnard (1867-1947); William Bradley (1868-1962); Eliseu Visconti (1866-1944).

Apesar de ter sido criticada por muito tempo por grupos artísticos voltados a escolas e técnicas mais tradicionalistas (Bahaus, por exemplo), sendo classificada como uma arte excessivamente ornamental, hoje em dia é extremamente valorizada por sua importância histórica, sem renegar sua riqueza ornamental (fachadas de edifícios, móveis e objetos para decoração de interiores, resumidamente).
No Brasil, a Liceu de Artes e Oficios de São Paulo (uma sociedade civil brasileira de direito privado) foi um dos principais divulgadores do estilo no país, assim como o principal artista brasileiro desse segmento foi Eliseu Visconti (mencionado na lista mais acima).
E se estão se perguntando SE eu peguei o material que encontrei e apenas o reformulei como um texto meu, HA, saibam que jamais faria algo como isso e... Tá, assumo, fiz isso sim. Mas, ah... Pelo menos me dei ao trabalho de ler tudo e ainda resumi o que encontrei em um textinho super bem construído. Por que mesmo estou me desculpando? Copiar a idéia de uma pessoa é plágio, de várias pessoas, pesquisa.
E segue a odisséia; E o impressionismo, alguém aí faz a menor idéia do que é? Monet. Monet foi um grande impressionista. Por quê? Bom, vamos entender a proposta do impressionismo para depois lembrarmos das telas desse pintor.
O impressionismo usa e abusa de cores puras e, impressionismo que é impressionismo, aquele do mal, que não nega suas origens, abre a mão do uso do preto e da palheta do pintor; As cores devem ser conseguidas diretamente na tela, a partir da observação direta do artista, e quase sempre usa de pinceladas únicas (por isso acabou sendo o pai do pontilhismo - aquele tipo de pintura onde só se observa as formas retratadas a uma certa distância, quando em visão aproximada consegue-se enxergar apenas pontinhos). 
E se você está se perguntando por que tanto sofrimento para pintar uma tela, a resposta é simples: os cretinos que inventaram essa técnica nasceram numa época onde não existia o Facebook, o iTunes, a televisão e nem a Iogurteira Top-Therm; Ok, não é por isso. A premissa do impressionismo é reproduzir luz e reflexo da maneira mais natural o possível, não necessariamente prendendo-se ao real (impressionismo não é realismo, percebam - até porque um vai na direção oposta a do outro em termos de intenção), por isso pedia que fosse exercitado ao ar livre; Quanto mais próximo da natureza, mais podia-se captar os reflexos da luz solar em objetos, bem como na própria natureza (árvores, animais, montanhas, etc); O movimento, os reflexos, luz e sombra e cores da natureza.
Paremos para pensar um pouco... Se o artista ía para o jardim de casa para pintar da maneira mais natural, o que isso provocava? Não, não estou falando dos olhares curiosos dos vizinhos. As cores na natureza são únicas, assim como momentos, unindo uma informação a outra podemos concluir que outra intenção do impressionismo era captar o instante em que tal cenário refletia as luzes e as cores daquela maneira, algo que não se repetiria outra vez; Pintura instantânea - o que, ás vezes, faziam os artistas recorrerem a fotografia. Outra informação importante sobre o estilo é que ele se desenvolveu sobretudo pelo início das pesquisas sobre óptica, ilusões ópticas e efeitos ópticos. 
Acham que deu para assimilar alguma coisa? Bom, o melhor que posso fazer agora é ilustrar um pouco esse estilo, porque sinceramente estou cansado de falar sobre ele - porque o abomino por ser algo que foge COMPLETAMENTE ao meu estilo de desenho (esqueçam pintura, porque nem com gouache e aquarela eu sei lidar). Vamos a algumas obras...

O Dia Final, de Monet.

O Moinho-de-Vento, outro de Monet.

The River Bennecourt, TOMA MAIS UM MONET E CALA A BOCA.

Reflexão, do Perez (NÃO É O PEREZ HILTON, SEU SEM GRAÇA).

Um campo qualquer retratado por Renoir .
Não consegui descobrir o nome da tela, mas como adoro o Renoir...
Almoço, de Renoir; Já disse que adoro o Renoir?

No final, até que a tarefa foi produtiva; Aproveitei essa noite de insônia - lindo e virado, porque fiquei enlouquecido tentando desenhar a desgraçada da Mulher Maravilha em estilo Comics e, bem, saiu uma cangaceira - para colocar em dia todos os trabalhos, mas ainda fiquei devendo um sobre "Brain Storm"*  onde precisava arrumar DEZ utilidades para uma bicicleta... DENTRO DE CASA. Imaginei uma mesa de jantar feita com duas bicicletas, um revisteiro, uma estante e só. Nem andar de bicicleta eu sei, se a principal função dela já não me é familiar, imaginem encontrar mais dez funções para esse troço?
Rodrigo, meu caro professor, se você chegar a ler esse post (até porque ele foi feito especialmente para você), tenha piedade do seu pobre aluno, porque ele está padecendo um pouquinho a cada dia por não se achar em nenhum dos estilos trabalhados até agora. É muito frustrante você querer desenhar uma mísera Mulher Maravilha e conseguir apenas a Joelma da Banda Calypso - e totalmente fora da proposta do estilo, ainda tem mais essa.
SEM MAIS.
Porque eu preciso começar a me arrumar. SIM! Do computador direto para a aula no Centro, sem dormir; Se eu cair nos trilhos do metrô, saibam que foi o sono que me matou.

*Termo usado em publicidade onde, de uma chuva de idéias aburda, aproveita-se alguma coisa para algum projeto em andamento

UPGRADE DO POST!

"Heeey Mr. Arnstein, heeere I aaaaaaaaam!" Jurava ter encerrado esse post, mas com o andar das aulas, percebi que a pesquisa estava muito fraca; Falei sobre o surgimento dos dois estilos sugeridos, falei de suas características, propostas, intenções e até publiquei imagens para referência... Imagens desatualizadas. CALMA! Monet, Renoir e cia são eternos e inabaláveis, mas, verdade seja dita: meu curso é voltado para video games e universo "nerd", ou seja, preciso oferecer referências atuais também.
Graças a meu grande amigo Emmanuel (@LebowskiMann no Twitter), descobri o nome de alguns artistas e material mais recente. Antes de falar sobre eles, vou enriquecer essa re-introdução ao assunto com um pouco de verdade, algo que é bem verdade, mas ninguém percebe.
Os jogos de video game que tanto divertem crianças, jovens e adultos passam por um longo processo de produção. Do rascunho à obra final, diversas fases precisam ser cumpridas. Nessa era digital onde os gráficos podem dizer se um jogo será ou não bem recebido pelo público e crítica, a necessidade por realismo e conteúdo gráfico rico se faz presente, e é aqui que o concept-art (arte conceitual) entra.
Video games também são arte. Cenários, texturas, trilhas sonoras... Tudo que faz parte desse grande show de entretenimento se produz e se aproveita a partir da arte. Precisamos de referências históricas e dos diferentes estilos para traçar as características estéticas dos jogos, o que nos joga de cabeça dentro desse universo tão rico e cheio de nuances.

O que estou dizendo basicamente é: não menosprezem esse mundo; Jogos, Comics, Mangás, HQs, Comic Cons... Tudo isso veio da arte, dela depende e dela sobrevive, ou melhor, tudo isso também é arte. Entretenimentoprecisa da história e de conteúdo, fim de papo.

Voltando ao que interessa, porque na empolgação acabei esquecendo de mencionar, usarei como referência não só o que o Emmanuel me passou, mas também um site, que frequento já faz alguns anos, onde artistas de todos os tipos e estilos expõe seus trabalhos; Uma espécie de Youtube diferenciado e centrado em imagens, não em videos (apesar de ter alguns perdidos em meio às pinturas, desenhos, painéis e etc).
http://www.deviantart.com é de uma riqueza inestimável e deveria ser parada obrigatória para todos aqueles que pretendem iniciar uma vida acadêmica voltada ás artes gráficas.
Vamos começar, como no post original, pelo Art-Nouveau. Como já esmiucei o estilo, vou cortar direto para   os artistas e as referências que juntei ao material original.

Yumiko Kaiukawa, joaponesa (como o próprio nome denuncia), fez o seu debut aos dezesseis anos com um mangá; Em seu site oficial, na página sobre sua história pessoal, o nome desse primeiro mangá não é dito, porém, ao que se pode entender do texto (em Inglês, como todo o site), o nome do comic-book é "Yumiko in America!", onde a personagem principal tratava-se da própria artista, contando sobre os dois meses e meio que passou nos EUA. A jovem se apaixonou pelo Pop-art e uniu o estilo ao que já tinha como inspiração, criando seu estilo. Let's take a look...

Honey Bunny.

Yummi! 

Dancing All Night.

Fallen in Love.

Destiny.

Samurai.

Todas as obras acima foram feitas com tinta acrílica, e em todas é perceptível a união da Art-Nouveau com o Pop-Art; As cores vivas e berrantes do Pop com as formas delicadas e a presença da natureza (flores e animais) do Nouveau. Deixo aqui o site da artista para quem quiser saber mais sobre ela... http://www.sweetyumiko.com
Audrey Kawasaki, outra japonesa influenciada pelo mangá (inerente a qualquer japones) e também pelo Art-Nouveau, classifica suas obras em seu site como "inocentes e eróticas, atraentes e perturbadoras". Seu trabalho, feito em painéis de madeira, são considerados melancólicos, dando a impressão de que as figuras femininas retratadas vivem em uma espécie de realidade paralela, um universo próprio criado pela artista para elas. Vamos aos painéis...
Fly Away.

Blue.

Mayakashi.

Yuuwaku.

Warabeuta.

Tigers Tigers Burning Bright.
Todas as obras acima foram concebidas em tinta óleo e grafite sobre madeira; Essa união de materiais  proporcionou o requinte e a delicadeza necessários ao estilo, mas não favoreceu somente o estilo Nouveau de ser, enriqueceram as obras que, na minha humilde e leiga opinião, ficaram LINDAS! Deixo o site dela também, http://www.audrey-kawasaki.com/ 


Bom, vamos agora para o que encontrei de interessante no DeviantArt sobre o estilo.

Johny Tyler Christopher, http://johntylerchristopher.deviantart.com/

Swimming in a Sea Of Self.

IronMan By Design: Art-Nouveau.


Lady Adler, http://ladyadler.deviantart.com/
Innocence.

Rebirth.


Não podia deixar faltar as minhas queridas e amadas personagens da Disney; Sou louco por elas e seus respectivos filmes - me chamem de viadinho, I don't care.





                                    





E foi aqui que as encontrei:  

Bom, acho que já exemplifiquei e atualizei bastante o Art-Nouveau, né? CHEGA, porque eu não aguento mais tanta frescura, rococós e essa aura plácida e tranquila. Acho lindo, mas vi tantas imagens do estilo que exauri minhas forças e acabei ficando saturado dele. Vamos falar um pouco sobre o impressionismo...

(continua quando o autor recuperar suas energias e paciência para voltar a pesquisar e ler sobre o assunto)
(...)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Perdas e danos.

Não, eu não abandonei o blog em 2010, mas sabem como é, não sabem? O ano só começa de verdade depois do Carnaval (sobretudo nesse meu tão amado, calourento e caótico Rio de Janeiro); Fiz um pequeno recesso, uma espécie de férias (já que só posso me dar férias por aqui), o que acabou me levando a um terrível ócio criativo. 
Achei o texto de encerramento para 2010 muito fraquinho e, com isso em mente, fiquei pensando sobre o que abordar para começar 2011 com um pouco mais de dignidade - lembram do texto sobre perfeccionismo? Então.
Após muito pensar (sobretudo nos acontecimentos do ano passado), achei um bom tema para abordar no primeiro texto (e post) de 2011; Como lidar com a derrota? Mas é claro que não estou falando de qualquer derrota... É, é dessa mesma que estou falando. Levamos um pé na bunda, e agora?
Terminar uma relação nunca é fácil, e isso independe do tempo de duração; Aprenda: paixão e amor são termos atemporais, não se colocam cronológicamente. Nascem, crescem, caducam e morrem, assim como os seres-humanos, mas jamais se relacionam ao tempo da mesma forma. Nascem sem pedir licença e morrem quando bem entendem, sem nenhuma opção de controle. Toda essa independencia acaba com a paz no coração de todos os amantes inseguros. 
Mesmo quando é um comum acordo, um lado sempre sofrerá mais do que o outro. Se não há comum acordo, resta ao rejeitado digerir para aceitar. Mas e quando o rejeitado não consegue lidar com a realidade? E quando somos nós que estamos na pele do rejeitado, o que fazer?
Há alguma sombra de dúvida que estou saindo da terceira pessoa? Espero que não. Não há como generalizar muito sobre esse tipo de assunto, o melhor que posso fazer é opinar de acordo com minhas experiências pessoais, sabendo que poucos se identificarão já que a individualidade coletiva não permite exatidão.
Já fui abandonado algumas vezes, mas dou destaque a três histórias consecutivas; Em 2008 saí de um relacionamento que durou pouco mais de um ano, mas só fui me recuperar dele ano passado, e nesse meio tempo passei por mais dois relacionamentos, um que durou um ano e sete meses e o último, que não chegou a dois meses direito. 
Foram três relações que definiram para mim uma única fase; Todas as pancadas foram necessárias para que eu acordasse do estado de anestesia involuntário que me tomou no final de 2008. Para que entendam melhor... Posso dizer que amei, em todos os parâmetros possíveis, uma única pessoa em toda a minha vida, e foi justamente essa que me deixou para trás em 2008. 
O término me doeu tanto, mas tanto, que busquei anestesia em outra relação, o que, é claro, acabou não funcionando por muito tempo; Ela se arrastou por mais de um ano e meio quando deveria ter parado por volta dos seis meses de união. 
Depois de tanto sofrer e causar sofrimento, fiz as pases com o passado e entrei numa fase de curtir minhas amizades, a vida e as bocas solteiras dessa cidade, mas "a maldição dos dois meses" (é raro eu passar mais de dois meses solteiro) se fez presente e colocou no meu caminho mais uma paixão. Em quase dois meses fui do céu ao inferno sem escalas e sem direito a  uma conclusão completa; Lindas declarações, muito carinho, crises existenciais (não minhas), um pedido de tempo, uma traição (muito mal engendrada, diga-se de passagem) e o término por meio de um depoimento no Orkut. NO ORKUT. Óbvio que surtei, óbvio que não lidei bem com essa história. 
Bom, após esse longo momento oversharing (necessário, acreditem, para que esse texto se justifique), posso colocar uma opinião limpa de qualquer ranso, já que, graças a Deus, venci minha maldição personalizada e me encontro solteiro desde Outubro de 2010. Três meses, aleluia!
Quando dói terminar, pouco importa se foi você ou a outra pessoa que deu o basta (até porque ás vezes nós o colocamos antes mesmo do nosso próprio sentimento morrer), você tem que se preservar ao máximo; Se o amor conjugal deu errado, tenha o amor próprio como estepe, aliás, nunca o abandone, porque ele lhe será extremamente útil.
Perseguir o(a) ex com ligações, visitas inexperadas, aparições nos lugares que ele(a) frequenta, mensagens virtuais, frases de efeito, pragas, voodos, etc, toda e qualquer atitude desse gênero caracterizam  fraqueza e despreparo, e acabam reforçando que o melhor a ser feito é mesmo terminar. Apelar para a compaixão  ou  pena do(a) ex-parceiro(a) para segurar a história por mais algum tempo só para evitar a dor do término é pura auto-sabotagem que vai lhe custar caro; Pode estar sacrificando a chance de tornar uma relação falida em amizade de ouro ou até mesmo dinamitando a preciosa oportunidade desse sentimento se recuperar e os unir mais uma vez no futuro - porque ninguém ama um(a) coitadinho(a) que implora por atenção, esperneia por retribuição e faz chantagem emocional.
Responsabilizar o outro pelo fracasso também não é o caminho mais decente, é apenas uma forma de simplificar as culpas; Onde há mais de um, nunca há apenas um único culpado, compreendendo isso, siga em frente.
Saiba se valorizar e mantenha a pose mesmo que esteja desmoronando por dentro. Deixe claro que ainda sente alguma coisa, mas não relute muito em concordar com o acordo de liberdade, pois estará provando que além de forte, é sábio e maduro o suficiente para lidar com o que pode ser uma rejeição. Se é para sair da relação, saia de cabeça erguida e sem olhar para trás.
Se você se fechou para o mundo e ficou isolado dentro do namoro, que agora agoniza em seus momentos finais, é a chance de acordar mais uma vez para a vida e para todas as possibilidades que ela lhe reserva. Tenha medo, mas enfrente, caia dentro e, de peito aberto, tenha certeza que pode muito bem caminhar com os próprios pés. Se baste.
Apesar do teor desse texto, é bem essa a minha proposta para 2011: que seja um ano onde o amor próprio impere e lidere o coração das pessoas, pois o egoísmo, clave de quase todos os problemas atuais da nossa sociedade, nasce justamente da insegurança.
Fechar o coração ás vezes faz bem, mas se o manter trancado por tempo demais, mais uma vez movido pela insegurança e medo do sofrimento, ele vai ter o mesmo fim que causou seu trancamento. Dentre tantas perdas e danos, só se ganha, pois um coração sábio vale mais do que qualquer outra coisa.

Um bom ano para todos nós.