quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Art-Nouveau, Impressionismo e um pseudo-artista enlouquecendo.

Não, o blog não terá finalmente um tema definido, e se fosse ter, tenham certeza que eu não abordaria o mundo das artes; É divertido de vez em quando mergulhar nele para escrever sobre alguma coisa que gosto, outra bem diferente é limitar-se a ele - sou do tipo que odeia tudo que se torna fixo ou obrigatório.
Esse post tem um único propósito: trata-se de um trabalho que preciso mostrar a meu professor de Concept-Art no curso que estou fazendo. Achei engenhoso transformar o trabalho em post, até porque na minha casa não existe impressora desde 2004, sendo assim, cá estou, trazendo um pouco do que tenho visto em sala para o meu tão perdido blog.
Passando essa leve introdução, vamos ao que interessa... Os temas são Art-Nouveau e Impressionismo. Conheço, conheço... Assim como conheço a Lua, o fundo do mar... Sei que existem, mas nunca tive contato (consciente) direto com eles. E a santa Wikipédia (pouco confiável) me ofereceu alguma informação para dissertar sobre.
A Art-Nouveau (do francês, Arte Nova) relaciona-se diretamente com a 2ª Revolução Industrial, tendo seu auge nas décadas finais do século XIX e nas primeiras do século XX. A estética arquitetônica proveniente dessa 2ª revolução industrial impunha, basicamente, o uso de metais e vidros com fins ornamentais, sobretudo na fachada dos então novos edifícios; Talvez por isso muitos dos cartazes desse estilo tenham leve semelhança com vitrais coloridos.
Óbviamente o estilo não se prendia única e exclusivamente a arquitetura, afinal, arte que é  arte ataca qualquer segmento possível. O Art-Nouveu influenciou diretamente as artes gráficas, trazendo o advento da litografia colorida, um marco para a criação de cartazes e outros tipos de materiais impressos - contrariando as demais correntes ligadas ao modernismo, que tendiam muito para a pintura.
Por que a Art-Nouveau nasceu e de onde veio? Nasceu na Europa, recebendo nomes diferentes em cada país (na Itália, por exemplo, chama-se Floreale), e tinha uma proposta simples: fugir do tradicional, já tão conhecido pelo mercado moderno, com uma proposta explicada por seu tipo de traço (marcante e familiar); Curvas suaves, linhas concisas, assimetria, cores em tom apastelado e formas orgânicas (o que influenciou na sua classificação por arte exageradamente ornamental)..
Influenciado pelo Arts and Crafts inglês - que pregava a valorização do artesanato em contraponto à produção em massa que descaracterizava o produto artístico - e pela pintura japonesa (que valoriza o uso do espaço em branco e leves pinceladas em suas pinturas e obras gráficas), a Art-Nouveau é considerada um abre-alas para o design moderno, trazendo avanços para o design editorial e o design de marcas comerciais, sendo caracterizado (e muito lembrado) por seus antológicos cartazes modernos. Eis alguns exemplos:

The Stomach Dance, de Aubrey Beardsley.

Peacockskirt, também de Aubrey Beardsley.

La Troupe de Mlle Églantine, de Henri Marie Raymond de Toulouse-Lautrec

E esse aqui está nomeado apenas como Jane Avril;
Não sei se trata-se da figura retratada ou do artista, mas que seja.
Segue uma pequena lista com os nomes dos artistas mais lembrados dentro desse estilo:
Aubrey Beardsley (1872-1898); Gaston Gerard (1878-1969); Alfons Mucha (1860-1939; Edvard Munch (1863-1944); Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901); Pierre Bonnard (1867-1947); William Bradley (1868-1962); Eliseu Visconti (1866-1944).

Apesar de ter sido criticada por muito tempo por grupos artísticos voltados a escolas e técnicas mais tradicionalistas (Bahaus, por exemplo), sendo classificada como uma arte excessivamente ornamental, hoje em dia é extremamente valorizada por sua importância histórica, sem renegar sua riqueza ornamental (fachadas de edifícios, móveis e objetos para decoração de interiores, resumidamente).
No Brasil, a Liceu de Artes e Oficios de São Paulo (uma sociedade civil brasileira de direito privado) foi um dos principais divulgadores do estilo no país, assim como o principal artista brasileiro desse segmento foi Eliseu Visconti (mencionado na lista mais acima).
E se estão se perguntando SE eu peguei o material que encontrei e apenas o reformulei como um texto meu, HA, saibam que jamais faria algo como isso e... Tá, assumo, fiz isso sim. Mas, ah... Pelo menos me dei ao trabalho de ler tudo e ainda resumi o que encontrei em um textinho super bem construído. Por que mesmo estou me desculpando? Copiar a idéia de uma pessoa é plágio, de várias pessoas, pesquisa.
E segue a odisséia; E o impressionismo, alguém aí faz a menor idéia do que é? Monet. Monet foi um grande impressionista. Por quê? Bom, vamos entender a proposta do impressionismo para depois lembrarmos das telas desse pintor.
O impressionismo usa e abusa de cores puras e, impressionismo que é impressionismo, aquele do mal, que não nega suas origens, abre a mão do uso do preto e da palheta do pintor; As cores devem ser conseguidas diretamente na tela, a partir da observação direta do artista, e quase sempre usa de pinceladas únicas (por isso acabou sendo o pai do pontilhismo - aquele tipo de pintura onde só se observa as formas retratadas a uma certa distância, quando em visão aproximada consegue-se enxergar apenas pontinhos). 
E se você está se perguntando por que tanto sofrimento para pintar uma tela, a resposta é simples: os cretinos que inventaram essa técnica nasceram numa época onde não existia o Facebook, o iTunes, a televisão e nem a Iogurteira Top-Therm; Ok, não é por isso. A premissa do impressionismo é reproduzir luz e reflexo da maneira mais natural o possível, não necessariamente prendendo-se ao real (impressionismo não é realismo, percebam - até porque um vai na direção oposta a do outro em termos de intenção), por isso pedia que fosse exercitado ao ar livre; Quanto mais próximo da natureza, mais podia-se captar os reflexos da luz solar em objetos, bem como na própria natureza (árvores, animais, montanhas, etc); O movimento, os reflexos, luz e sombra e cores da natureza.
Paremos para pensar um pouco... Se o artista ía para o jardim de casa para pintar da maneira mais natural, o que isso provocava? Não, não estou falando dos olhares curiosos dos vizinhos. As cores na natureza são únicas, assim como momentos, unindo uma informação a outra podemos concluir que outra intenção do impressionismo era captar o instante em que tal cenário refletia as luzes e as cores daquela maneira, algo que não se repetiria outra vez; Pintura instantânea - o que, ás vezes, faziam os artistas recorrerem a fotografia. Outra informação importante sobre o estilo é que ele se desenvolveu sobretudo pelo início das pesquisas sobre óptica, ilusões ópticas e efeitos ópticos. 
Acham que deu para assimilar alguma coisa? Bom, o melhor que posso fazer agora é ilustrar um pouco esse estilo, porque sinceramente estou cansado de falar sobre ele - porque o abomino por ser algo que foge COMPLETAMENTE ao meu estilo de desenho (esqueçam pintura, porque nem com gouache e aquarela eu sei lidar). Vamos a algumas obras...

O Dia Final, de Monet.

O Moinho-de-Vento, outro de Monet.

The River Bennecourt, TOMA MAIS UM MONET E CALA A BOCA.

Reflexão, do Perez (NÃO É O PEREZ HILTON, SEU SEM GRAÇA).

Um campo qualquer retratado por Renoir .
Não consegui descobrir o nome da tela, mas como adoro o Renoir...
Almoço, de Renoir; Já disse que adoro o Renoir?

No final, até que a tarefa foi produtiva; Aproveitei essa noite de insônia - lindo e virado, porque fiquei enlouquecido tentando desenhar a desgraçada da Mulher Maravilha em estilo Comics e, bem, saiu uma cangaceira - para colocar em dia todos os trabalhos, mas ainda fiquei devendo um sobre "Brain Storm"*  onde precisava arrumar DEZ utilidades para uma bicicleta... DENTRO DE CASA. Imaginei uma mesa de jantar feita com duas bicicletas, um revisteiro, uma estante e só. Nem andar de bicicleta eu sei, se a principal função dela já não me é familiar, imaginem encontrar mais dez funções para esse troço?
Rodrigo, meu caro professor, se você chegar a ler esse post (até porque ele foi feito especialmente para você), tenha piedade do seu pobre aluno, porque ele está padecendo um pouquinho a cada dia por não se achar em nenhum dos estilos trabalhados até agora. É muito frustrante você querer desenhar uma mísera Mulher Maravilha e conseguir apenas a Joelma da Banda Calypso - e totalmente fora da proposta do estilo, ainda tem mais essa.
SEM MAIS.
Porque eu preciso começar a me arrumar. SIM! Do computador direto para a aula no Centro, sem dormir; Se eu cair nos trilhos do metrô, saibam que foi o sono que me matou.

*Termo usado em publicidade onde, de uma chuva de idéias aburda, aproveita-se alguma coisa para algum projeto em andamento

UPGRADE DO POST!

"Heeey Mr. Arnstein, heeere I aaaaaaaaam!" Jurava ter encerrado esse post, mas com o andar das aulas, percebi que a pesquisa estava muito fraca; Falei sobre o surgimento dos dois estilos sugeridos, falei de suas características, propostas, intenções e até publiquei imagens para referência... Imagens desatualizadas. CALMA! Monet, Renoir e cia são eternos e inabaláveis, mas, verdade seja dita: meu curso é voltado para video games e universo "nerd", ou seja, preciso oferecer referências atuais também.
Graças a meu grande amigo Emmanuel (@LebowskiMann no Twitter), descobri o nome de alguns artistas e material mais recente. Antes de falar sobre eles, vou enriquecer essa re-introdução ao assunto com um pouco de verdade, algo que é bem verdade, mas ninguém percebe.
Os jogos de video game que tanto divertem crianças, jovens e adultos passam por um longo processo de produção. Do rascunho à obra final, diversas fases precisam ser cumpridas. Nessa era digital onde os gráficos podem dizer se um jogo será ou não bem recebido pelo público e crítica, a necessidade por realismo e conteúdo gráfico rico se faz presente, e é aqui que o concept-art (arte conceitual) entra.
Video games também são arte. Cenários, texturas, trilhas sonoras... Tudo que faz parte desse grande show de entretenimento se produz e se aproveita a partir da arte. Precisamos de referências históricas e dos diferentes estilos para traçar as características estéticas dos jogos, o que nos joga de cabeça dentro desse universo tão rico e cheio de nuances.

O que estou dizendo basicamente é: não menosprezem esse mundo; Jogos, Comics, Mangás, HQs, Comic Cons... Tudo isso veio da arte, dela depende e dela sobrevive, ou melhor, tudo isso também é arte. Entretenimentoprecisa da história e de conteúdo, fim de papo.

Voltando ao que interessa, porque na empolgação acabei esquecendo de mencionar, usarei como referência não só o que o Emmanuel me passou, mas também um site, que frequento já faz alguns anos, onde artistas de todos os tipos e estilos expõe seus trabalhos; Uma espécie de Youtube diferenciado e centrado em imagens, não em videos (apesar de ter alguns perdidos em meio às pinturas, desenhos, painéis e etc).
http://www.deviantart.com é de uma riqueza inestimável e deveria ser parada obrigatória para todos aqueles que pretendem iniciar uma vida acadêmica voltada ás artes gráficas.
Vamos começar, como no post original, pelo Art-Nouveau. Como já esmiucei o estilo, vou cortar direto para   os artistas e as referências que juntei ao material original.

Yumiko Kaiukawa, joaponesa (como o próprio nome denuncia), fez o seu debut aos dezesseis anos com um mangá; Em seu site oficial, na página sobre sua história pessoal, o nome desse primeiro mangá não é dito, porém, ao que se pode entender do texto (em Inglês, como todo o site), o nome do comic-book é "Yumiko in America!", onde a personagem principal tratava-se da própria artista, contando sobre os dois meses e meio que passou nos EUA. A jovem se apaixonou pelo Pop-art e uniu o estilo ao que já tinha como inspiração, criando seu estilo. Let's take a look...

Honey Bunny.

Yummi! 

Dancing All Night.

Fallen in Love.

Destiny.

Samurai.

Todas as obras acima foram feitas com tinta acrílica, e em todas é perceptível a união da Art-Nouveau com o Pop-Art; As cores vivas e berrantes do Pop com as formas delicadas e a presença da natureza (flores e animais) do Nouveau. Deixo aqui o site da artista para quem quiser saber mais sobre ela... http://www.sweetyumiko.com
Audrey Kawasaki, outra japonesa influenciada pelo mangá (inerente a qualquer japones) e também pelo Art-Nouveau, classifica suas obras em seu site como "inocentes e eróticas, atraentes e perturbadoras". Seu trabalho, feito em painéis de madeira, são considerados melancólicos, dando a impressão de que as figuras femininas retratadas vivem em uma espécie de realidade paralela, um universo próprio criado pela artista para elas. Vamos aos painéis...
Fly Away.

Blue.

Mayakashi.

Yuuwaku.

Warabeuta.

Tigers Tigers Burning Bright.
Todas as obras acima foram concebidas em tinta óleo e grafite sobre madeira; Essa união de materiais  proporcionou o requinte e a delicadeza necessários ao estilo, mas não favoreceu somente o estilo Nouveau de ser, enriqueceram as obras que, na minha humilde e leiga opinião, ficaram LINDAS! Deixo o site dela também, http://www.audrey-kawasaki.com/ 


Bom, vamos agora para o que encontrei de interessante no DeviantArt sobre o estilo.

Johny Tyler Christopher, http://johntylerchristopher.deviantart.com/

Swimming in a Sea Of Self.

IronMan By Design: Art-Nouveau.


Lady Adler, http://ladyadler.deviantart.com/
Innocence.

Rebirth.


Não podia deixar faltar as minhas queridas e amadas personagens da Disney; Sou louco por elas e seus respectivos filmes - me chamem de viadinho, I don't care.





                                    





E foi aqui que as encontrei:  

Bom, acho que já exemplifiquei e atualizei bastante o Art-Nouveau, né? CHEGA, porque eu não aguento mais tanta frescura, rococós e essa aura plácida e tranquila. Acho lindo, mas vi tantas imagens do estilo que exauri minhas forças e acabei ficando saturado dele. Vamos falar um pouco sobre o impressionismo...

(continua quando o autor recuperar suas energias e paciência para voltar a pesquisar e ler sobre o assunto)
(...)

2 comentários:

  1. Gostei dessas imagens; uma boa revisitação da Art Noveau.
    Parabéns

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  2. parabens ! lindos seus trablhos!

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