segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Perdas e danos.

Não, eu não abandonei o blog em 2010, mas sabem como é, não sabem? O ano só começa de verdade depois do Carnaval (sobretudo nesse meu tão amado, calourento e caótico Rio de Janeiro); Fiz um pequeno recesso, uma espécie de férias (já que só posso me dar férias por aqui), o que acabou me levando a um terrível ócio criativo. 
Achei o texto de encerramento para 2010 muito fraquinho e, com isso em mente, fiquei pensando sobre o que abordar para começar 2011 com um pouco mais de dignidade - lembram do texto sobre perfeccionismo? Então.
Após muito pensar (sobretudo nos acontecimentos do ano passado), achei um bom tema para abordar no primeiro texto (e post) de 2011; Como lidar com a derrota? Mas é claro que não estou falando de qualquer derrota... É, é dessa mesma que estou falando. Levamos um pé na bunda, e agora?
Terminar uma relação nunca é fácil, e isso independe do tempo de duração; Aprenda: paixão e amor são termos atemporais, não se colocam cronológicamente. Nascem, crescem, caducam e morrem, assim como os seres-humanos, mas jamais se relacionam ao tempo da mesma forma. Nascem sem pedir licença e morrem quando bem entendem, sem nenhuma opção de controle. Toda essa independencia acaba com a paz no coração de todos os amantes inseguros. 
Mesmo quando é um comum acordo, um lado sempre sofrerá mais do que o outro. Se não há comum acordo, resta ao rejeitado digerir para aceitar. Mas e quando o rejeitado não consegue lidar com a realidade? E quando somos nós que estamos na pele do rejeitado, o que fazer?
Há alguma sombra de dúvida que estou saindo da terceira pessoa? Espero que não. Não há como generalizar muito sobre esse tipo de assunto, o melhor que posso fazer é opinar de acordo com minhas experiências pessoais, sabendo que poucos se identificarão já que a individualidade coletiva não permite exatidão.
Já fui abandonado algumas vezes, mas dou destaque a três histórias consecutivas; Em 2008 saí de um relacionamento que durou pouco mais de um ano, mas só fui me recuperar dele ano passado, e nesse meio tempo passei por mais dois relacionamentos, um que durou um ano e sete meses e o último, que não chegou a dois meses direito. 
Foram três relações que definiram para mim uma única fase; Todas as pancadas foram necessárias para que eu acordasse do estado de anestesia involuntário que me tomou no final de 2008. Para que entendam melhor... Posso dizer que amei, em todos os parâmetros possíveis, uma única pessoa em toda a minha vida, e foi justamente essa que me deixou para trás em 2008. 
O término me doeu tanto, mas tanto, que busquei anestesia em outra relação, o que, é claro, acabou não funcionando por muito tempo; Ela se arrastou por mais de um ano e meio quando deveria ter parado por volta dos seis meses de união. 
Depois de tanto sofrer e causar sofrimento, fiz as pases com o passado e entrei numa fase de curtir minhas amizades, a vida e as bocas solteiras dessa cidade, mas "a maldição dos dois meses" (é raro eu passar mais de dois meses solteiro) se fez presente e colocou no meu caminho mais uma paixão. Em quase dois meses fui do céu ao inferno sem escalas e sem direito a  uma conclusão completa; Lindas declarações, muito carinho, crises existenciais (não minhas), um pedido de tempo, uma traição (muito mal engendrada, diga-se de passagem) e o término por meio de um depoimento no Orkut. NO ORKUT. Óbvio que surtei, óbvio que não lidei bem com essa história. 
Bom, após esse longo momento oversharing (necessário, acreditem, para que esse texto se justifique), posso colocar uma opinião limpa de qualquer ranso, já que, graças a Deus, venci minha maldição personalizada e me encontro solteiro desde Outubro de 2010. Três meses, aleluia!
Quando dói terminar, pouco importa se foi você ou a outra pessoa que deu o basta (até porque ás vezes nós o colocamos antes mesmo do nosso próprio sentimento morrer), você tem que se preservar ao máximo; Se o amor conjugal deu errado, tenha o amor próprio como estepe, aliás, nunca o abandone, porque ele lhe será extremamente útil.
Perseguir o(a) ex com ligações, visitas inexperadas, aparições nos lugares que ele(a) frequenta, mensagens virtuais, frases de efeito, pragas, voodos, etc, toda e qualquer atitude desse gênero caracterizam  fraqueza e despreparo, e acabam reforçando que o melhor a ser feito é mesmo terminar. Apelar para a compaixão  ou  pena do(a) ex-parceiro(a) para segurar a história por mais algum tempo só para evitar a dor do término é pura auto-sabotagem que vai lhe custar caro; Pode estar sacrificando a chance de tornar uma relação falida em amizade de ouro ou até mesmo dinamitando a preciosa oportunidade desse sentimento se recuperar e os unir mais uma vez no futuro - porque ninguém ama um(a) coitadinho(a) que implora por atenção, esperneia por retribuição e faz chantagem emocional.
Responsabilizar o outro pelo fracasso também não é o caminho mais decente, é apenas uma forma de simplificar as culpas; Onde há mais de um, nunca há apenas um único culpado, compreendendo isso, siga em frente.
Saiba se valorizar e mantenha a pose mesmo que esteja desmoronando por dentro. Deixe claro que ainda sente alguma coisa, mas não relute muito em concordar com o acordo de liberdade, pois estará provando que além de forte, é sábio e maduro o suficiente para lidar com o que pode ser uma rejeição. Se é para sair da relação, saia de cabeça erguida e sem olhar para trás.
Se você se fechou para o mundo e ficou isolado dentro do namoro, que agora agoniza em seus momentos finais, é a chance de acordar mais uma vez para a vida e para todas as possibilidades que ela lhe reserva. Tenha medo, mas enfrente, caia dentro e, de peito aberto, tenha certeza que pode muito bem caminhar com os próprios pés. Se baste.
Apesar do teor desse texto, é bem essa a minha proposta para 2011: que seja um ano onde o amor próprio impere e lidere o coração das pessoas, pois o egoísmo, clave de quase todos os problemas atuais da nossa sociedade, nasce justamente da insegurança.
Fechar o coração ás vezes faz bem, mas se o manter trancado por tempo demais, mais uma vez movido pela insegurança e medo do sofrimento, ele vai ter o mesmo fim que causou seu trancamento. Dentre tantas perdas e danos, só se ganha, pois um coração sábio vale mais do que qualquer outra coisa.

Um bom ano para todos nós.


2 comentários:

  1. Um ano maravilhoso para você, Guilherme..
    Teremos sempre perdas e danos...é a vida. Mas desejo, de coração, que neste ano você tenha muitos ganhos...e pouquíssimas perdas...
    Super beijossss
    Feliz 2011
    Regina(mãe da Bianca)

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  2. Gente! REGINA? OI? Ganhei meu ano só por ter um comentário seu aqui, porque, se você não sabe, és minha diva pessoal. Hauhauhauhau, começamos bem 2011.

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