quinta-feira, 3 de março de 2011

Born Against Me.

Quem já leu mais de um texto meu sabe que sou muito crítico, e que quando não meto o pau na vida, falo sobre algum filme que assisti. Não faz muito tempo, adquiri o hábito de apreciar (sinônimo de odiar, no meu vocabulário) clipes musicais; Sou público alvo para as cantoras do Pop americano (é, eu não sei o que é boa música, mas assim sou feliz, me deixa) e sempre que aparece um lançamento que me chame a atenção, dou meu jeito dele entrar em pauta, seja em um post mais sério ou numa tirinha cômica improvisada.
Não, não entendo bulhufas de música, canto ou qualquer coisa relacionada às técnicas e elementos artisticos do meio, aliás, é comum eu amar uma música sem saber de qual álbum faz parte e até mesmo quem a canta. Por outro lado, nada disso anula o fato d'eu não ter nascido surdo e muito menos cego, portanto me dou o direito de opinar sem nenhum tipo de barreira, senão as que eu mesmo quiser impor, sobre aquilo me me agrada.
Disse uma vez e vou repetir: sou contra comparações entre cantoras, mesmo que sejam de um mesmo gênero, pois sei que gosto pessoal é único e intransferível, o que torna este ato um pouco pretensioso, hipócrita e, muitas vezes, cego. Por mais que eu brinque com isso de vez em quando, nunca estou falando verdadeiramente sério.
Nunca entendi essa fixação por cantores(as) e bandas que algumas pessoas têm; Dos gays com suas divas dependentes do Vocoder às pré-adolescentes com seu Justin Bieber sem-sal e Fiuk sem brilho. Tal falta de compreensão me fez perceber o que talvez muitos já saibam, mas ainda me é novidade... O que é pior do que uma celebridade que não te agrada? Tempo...

Sem sombra de dúvida, os fãs dela.

Os fãs são responsáveis por uma grande porção da antipatia direcionada a uma figura pública; "LEAVE BRITNEY ALONE" tornou-se um exemplo clássico, influenciando inclusive no teor das piadas geradas pela imprensa quando a divina srta. Spears teve aquele surto psicótico no não tão distante ano de 2007. É sobre ela que pretendo falar hoje, mas graças aos fãs Lady Gaga incorporou esse post e também receberá atenção; Se é comparação que vocês querem, é comparação que terão.
Quis escrever sobre o lançamento do último clipe de Britney ("Hold It Against Me") assim que foi lançado, mas  me atrasei graças ao lançamento, pouco depois, de "Born This Way", da Lady Gaga.
Essa sequência de estréias desencadeou uma chuva de dementes nos blogs, Twitter e Facebook comparando não somente as músicas como também as cantoras. Decidi então que só escreveria sobre "Hold It Against Me" quando o clipe de "Born This Way" fosse publicado para poder resumir a guerra a um post apenas.
Apesar de me considerar uma pessoa centrada, que sabe diferenciar muito bem uma cantora da outra, assim como sabe que compará-las é um desparate, não posso garantir que não serei tendencioso já que me considero fã da Lady Gaga quando, na minha vida, Britney se resume a uma ou outra música lançada de 2007 para cá. Nem todo Pop é Pop, aprendam.


Hold It Against Her. 
PLEASE!

Semanas a fio acompanhei pelo Twitter a excitação de Britney sobre sua nova música. Assim que foi lançada, baixei "Hold It Against Me" e, bem, superei cinco minutos depois; Não é uma música ruim (a não ser por trechos da letra como "...Baby, você é um paraíso e preciso de férias essa noite"), é dançante, tem um ritmo bom, mas está longe de ser a música mais expressiva da tão fragilizada carreira da cantora.
Não que cada lançamento tenha que ser, por obrigação, o maior sucesso do momento (muito embora o simples fato de se tratar de um lançamento dê esse status a algumas músicas), mas pelos últimos trabalhos (fracos) da cantora, era de se esperar mais.
"Blackout" (de 2007) teve bons momentos e mostrou que Britney ainda tinha o que dar ao público, mas essa sensação por ali ficou; "Circus", o álbum seguinte, foi MUITO fraco (apesar de um ou outro sucesso) e sua turnê foi, no mínimo, um lixo (a quem interessar, há videos no Youtube que dão até vergonha de assistir).
Marcada por uma pública e intensa guerra-pessoal, ganhou popularidade como garota-problema, e tal batalha parecia ter exaurido as forças da cantora; Também pudera, ficou afastada dos palcos por um bom tempo, precisou abusar de apliques e perucas (já que fez a louca e raspou a cabeça), morreu na academia para voltar a ter um corpo saudável (e digno do que fazia nos shows), passando, para quem já esqueceu, por aquela vexatória apresentação no VMA. "Gimme, gimme STARBUCKS". Britney Spears foi do céu ao inferno em questão de meses, e até hoje parece não ter se recuperado completamente.
É verdade que sua carreira continuou se movimentando durante esse pós-guerra, os dois álbuns citados acima são desse período, mas, de uma forma ou de outra, culpa ou não dessas complicações, já faz um bom tempo que ela não brilha como antes, e é isso o que vemos em "Hold It Against Me".

Taí um detalhe do clipe que eu adorei: a gaiola de microfones.

A temática abordada por ela é a mesma já faz algum tempo: sua difícil vida perante as câmeras em contraste com o que as pessoas esperam que ela seja; "Piece Of Me", "If You Seek Amy", "Circus", "Kill The Lights", etc. Quando teve a oportunidade de abusar daquilo que lhe rendeu o status de diva, caiu na mesmice; Fez a Kylie Minogue e reciclou a mesma fórmula pela enésima vez. 
A letra da música não faz nenhuma referência à sua vida pessoal, mas no clipe o que vemos é a eterna mania de perseguição retratada por meio de gaiolas de microfones, picadeiros de câmeras e aquela luta de sempre: Britney vs. Britney.

Não entendi qual é a dos jatos de tinta,
mas que o efeito ficou bom, ficou sim.
Será que a SONY vai lançar uma impressora nova?

Britney nunca se destacou por ter uma voz expressiva, mas por saber fazer músicas-chiclete e dançar muito bem. E ela dança em "Hold It Against Me"? Dança, e parece dançar muito. Até que chega a edição de video e pronto, caga a porra toda; A coreografia ficou inteiramente despedaçada e a continuidade dos movimentos foi comprometida, o que reforçou a idéia de que agora ela não só tapeia na voz como também no seu ponto forte. Ou canta, ou dança, NADA é que não dá, minha filha.
Outro incômodo foi o merchandising gritante da Sony; Esse tipo de propaganda (merchandising de inserção) empobrece qualquer produção, seja novela, seriado, filme ou clipe musical, sendo tolerável apenas quando é MUITO discreto; "Hold It Against SONY", *risos empresariais*.



Essa moda de fazer clipe com cara de apresentação
em programa de sábado à noite é tão Kylie Minoguzzz...

Os fãs, claro, adoraram o clipe. Defenderam, bateram pé... Sou a favor da teoria que diz que fãs acomodados geram artistas acomodados. Essa história dela conseguir vender até clipe onde fica sentada tirando meleca do nariz só vai trazer essas novidades meia-boca a cada dezoito meses.
Acorda minha gente! Aonde que esse clipe é maravilhoso? Aonde que cês viram o brilho dela de volta? A última vez em que ela soltou a franga como nos velhos tempos foi em "Womanizer", desde então ela passa a angustiante sensação de estar travada.
Não usem a desculpa que cada cantora teve sua fase porque não cola; A mudança de fase se caracteriza por diferenças substanciais no conteúdo produzido, incluindo aparência e estilo das músicas, logo, Britney Spears não entrou numa fase mais madura pois, na essência, continua fazendo o que sempre fez, só que toda travada. Não dança como antigamente, não brinca com a câmera como antigamente... Travada. Travada. Travada. TRAVADA! Não tem termo que defina melhor o que sinto ao vê-la hoje em dia. TRA-VA-DA!


E fica a pergunta: quando, finalmente, Britney Spears vai voltar?

Não nego que curti o clipe. Gostei dos cenários, dos figurinos, da coreografia (mesmo cortada) e me impressionei inclusive com o físico da cantora; Se o emocional ainda não está totalmente recuperado, pelo menos a aparência parece estar. Um amigo mais maldoso disse que queria para a vida aquele Photoshop-in-camera, mas prefiro viver num mundo encantado onde a Britney finalmente voltou a ser gostosa e loira-sedução. 
Um outro amigo disse no Twitter, muito sabiamente, que os fãs ainda a defendem com garras e dentes porque têm esperanças de uma volta triunfal. O que acontece é que ela nunca volta de verdade e a não renovação do público alvo é tão nociva quanto a acomodação generalizada.
Não morro de amores por ela e nunca a vi com outros olhos senão os de um crítico, mas sei de sua capacidade em termos de encantamento e entrega naquilo que faz. Fica a dica: SE JOGA, BRITNEY! DANCE COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ. DESTRAVA ESSA ALMA, MINHA FILHA!

No mais, é um clipe bacana, é uma boa música; 30% loaded de Britney está bom para vocês?

Born this way; Blame it on God.

Senta que lá vem história. Tem gente que jura de pés juntos que a Lady Gaga é do Pop até a alma. Basta ir no Wikipédia e ler um pouco sobre a vida dela para logo perceber que não. Vamos ao golpe de marketing dessa esquisitona tão querida.
Por anos ela tentou emplacar uma carreira naquilo que gostava de fazer; Piano, uma bandinha ao fundo, composições próprias, uma coisa meio pop, meio rock, e um visual mal-acabado a la "loser from Highschool", mas, é claro, nunca convenceu. Muito esperta, observou o que fazia sucesso, se inspirou, abusou do Vocoder e se lançou como mais uma loirinha do Pop; "É de loirinhas sem muita voz que o povo gosta? Então toma". Overdose de voz adocicada, toda trabalhada numa vibe Disney Stars.
Os primeiros clipes tinham um quê trash, baixa-renda, mas com muito estilo e personalidade (podia estar disfarçada, mas não precisava abnegar de sua criatividade). Logo veio o sucesso de "Poker Face" e "Paparazzi", este segundo um de seus melhores trabalhos. Graças à eles caiu, finalmente, no gosto popular, conquistando a simpatia de artistas vanguardistas como Madonna e Elton John.
Mas, como quem sai aos seus não degenera, Lady Gaga foi pouco a pouco soltando a franga ao contrário; Não saiu totalmente do Pop, mas mudou completamente aquela estética chanel-colorida de ser e entrou numa fase diabolicamente distorcida do que sempre pretendeu fazer.


Uma boa introdução:
uma histórinha que permite o lançamento de um segundo clipe 
e defende a música das acusações de plágio.

Houve a explosão de "Bad Romance" (um marco na história musical) com seu clipe super simples e carismático,  seguido por "Telephone", seu último trabalho da primeira fase e outro inquestionável sucesso; A música é boa, o dueto com Beyoncé não poderia ter sido mais apropriado e o clipe é sensacional.
Ai veio "Alejandro"... Aquela bosta gigantesca, coreografada e apertada em roupas de couro, em meio a cortes de cabelo franciscanos; O clipe ficou estéticamente feio, as referências foram forçadas, as homenagens ficaram sofridas... Resumindo: um ensaio sobre o mau-gosto que ninguém conseguiu compreender. Aqui já se falava que ela curtia dar uma copiada na Madonna.
E fez-se um jejum longo e agonizante, pois a fofa só lançou dois álbuns até hoje e já é tratada como se tivesse cinquenta anos de carreira; A questão não é supervalorizar uma cantora não tão boa, é exagerar a cobrança sobre uma pseudo-iniciante que tem pouco mais de 23 anos e que está para lançar o terceiro álbum. Esse furacão todo em pouco mais de dois anos de carreira frente aos holofotes é para poucos.

Caí de amores por essas próteses nas maçãs do rosto e nos ombros.

Semana retrasada, após muita excitação no Twitter (é moda agora?), foi lançada "Born This Way". Todos esperando uma nova "Bad Romance" e ela aparece com uma "Express Yourself"; Não, eu particularmente não acho que seja um plágio, mas é inegável a semelhança de ritmo, arranjos e batidas - é o famoso "parece, mas não é" (e não vejo problema nenhum nisso, até mesmo porque a própria Lady Gaga disse em 2009 que era fã da Madonna e que pretendia referenciá-la ao longo de seus lançamentos seguintes).
Percebi que existe uma fórmula para que um lançamento aguardado dê errado: uma pessoa fez um comentário engraçado sobre algum detalhe e pronto, está desencadeada a maldição chamada de "haters gonna hate"; Enxovalharam a música de críticas, abusaram do nome da Madonna e criaram um barulho muito grande para as proporções da própria música - não posso deixar de culpar também a própria Lady Gaga, que chegou a dizer que a música seria um novo hino para as minorias sexuais. Pretensão sua, queridinha.

A propaganda ideológica sobre igualdade
entre os seres-humanos expressa por meio de nojeira;
Somos todos feitos da mesma coisa,
a cor e a preferência sexual pouco importa.

O final do clipe talvez tenha sido uma maneira encontrada para abafar a voz dos revoltados com o suposto plágio, e se minha interpretação está correta, Lady Gaga foi genial; Encerrar o clipe fantasiada de Madonna na fase de "True Blue" (separando inclusive os dois dentes da frente) foi o toque final perfeito; Um tapa na cara de quem pensou que ela não se pronunciaria sobre o assunto. Transformar plágio em referência é uma arte e nesse caso, cópia ou não, foi genial.
A história de introdução de "Born This Way" é muito interessante, e reforçou o boato (ou fato, não sei) de que a canção renderia um segundo clipe, com uma vibe diferente - curti a idéia, já que o que foi imaginado é coerente a força da música; Pelo que entendi, será um clipe sobre o lado mal e outro sobre o lado bom. Esse primeiro seria o lado mal, certo? Sei lá, os conceitos dessa bicha são todos meio tortos, dá para esperar qualquer coisa por parte de sua criatividade.

Saída sarcástica, digna do auê criado
em torno do lançamento da música semanas antes do clipe.

Os figurinos, bem... Preciso mesmo falar? Muita coisa estranha, muita coisa que nem a Björk teria coragem de usar (porque ela pode ser estranha, mas tem bom-gosto), muito corpo à mostra... Jura que falaram que ela estava gorda? Rolou então o mesmo Photoshop-in-camera que a Britney usou; Lady Gaga, nunca pensei que falaria isso, mas você está gostosa, viu?
Uma coreografia boba, mas que com certeza vai pegar, em meio a dançarinos de várias cores e sabores (?), tudo derretendo e se misturando, jus à propaganda ideológica da letra; Saímos da mesma massa, não importa o que pensamos da vida e o que forçamos como regra, no final somos todos iguais.
Falando em ideologia, "Born This Way" tem seu mérito por ser a primeira música de uma cantora do Pop a falar diretamente, com todas as letras e acentos possíveis, com as chamadas minorias sexuais; Gays, lésbicas, bissexuais, drag-queens, travestis e transsexuais (esqueci alguém?). Não que isso já não tenha sido feito, mas a mensagem nunca foi tão descarada e literal.
Como o assunto é preconceito, negros, brancos, índios e orientais, toda e qualquer etnia que tenha sofrido (ou ainda sofra) discriminação é mencionada por ser válida à mensagem da música; Nenhum povo ou sociedade pode definir o que é superior em termos de humanidade, pois como animais que somos, lidamos diretamente com a lei da sobrevivência e na selva a cor só serve para camuflagem. Não existem raças, este é um conceito antiquado e errado que ainda usamos no dia-a-dia.
Achei a mensagem forte, coerente e sei que veio numa fase importante: finalmente a sociedade começa a abrir os olhos sobre seus integrantes.

(...)

Sei que grande parte das comparações entre essas duas deve-se ao fato de ambas estarem para lançar um álbum novo, e como estão sendo super aguardados, potencializam ainda mais a rivalidade entre os fãs, mas sejamos lúcidos: há alguma rivalidade real entre Britney Spears e Lady Gaga senão a criada na cabecinha doente das pessoas que as tratam como deusas? Não, não há.
Lady Gaga é uma jovem cantora que baseia sua carreira numa mistura de tudo aquilo que gosta, o que rende-lhe a incompreensão das pessoas que tanto a acusam de plagiadora quando, na verdade, é o grito da menina diferente no meio do universo das belas cantoras do Pop; "Ei, eu não sou como vocês, mas estou aqui e vim para ficar!". Vejamos qual vai ser a desse álbum novo.
Britney Spears é uma estrela que luta há anos contra a decadência de sua carreira, mas não tem usado a força necessária para voltar à constelação que lhe foi reservada e aguarda seu regresso; Os fãs torcem por ela, a mídia clama por seu nome, os palcos sentem sua ausência, mas se a própria Britney não explorar seu potencial, de que adianta tanta paixão? Chega de suspiros brilhantes, já passou da hora dessa porpurina sair do potinho de novo, srta. Spears. Espero, sinceramente, que "Femme Fatale" (álbum de "Hold It Against Me") seja uma grata surpresa.
Conclusão? A Madonna deve estar alguns milhões mais rica a essa altura... E eu perdi algumas horas da minha vida tentando apaziguar uma rivalidade típica do Futebol (times) em um assunto tipicamente gay (cantoras); A máxima permanece: gosto é gosto, doa a quem doer, seja Gaga, Britney, Shakira, Madonna, Cher, Susan Boyle...

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