domingo, 20 de março de 2011

Em Falso.

Contaminamos tudo a nossa volta com nosso mais novo engano cometido - familiares, amigos, amantes, nossa vida, nossos cenários... Todos absorvidos por aquele rompante momentâneo que nos levou a creditar uma tentativa, um passo em uma direção incerta, como a saída, a verdade, a melhor decisão para determinado problema; Foi um passo em falso, e agora?
Dizem que é privilégio dos jovens certos tipos de questionamentos sobre o futuro, que quando se atinge determinada idade, as aflições mudam de configuração e a realidade torna-se mais leve, maleável. Acredito nessa teoria, mas nem por isso vejo qualquer utilidade nela; De que adianta dizer a um angustiado que "vai passar" sem dar a menor pista de como fazer passar? Pouco importa se a angústia aos 60 anos é diferente da que sente-se aos 20, e que esta segunda torna-se, com o tempo, um fato engraçado da juventude já tão distante - o tempo não a impede de causar danos irreversíveis, isto é, se sair do controle.
A verdade é que não há como dissipar a angústia sem vivê-la em todos os seus parâmetros, já que quanto mais se sofre, mais se amadurece. As sábias decisões jamais são tomadas em um momento de pressa, sempre exigem muita avaliação e calma, tempo para serem tomadas (deve-se ressaltar que há uma linha tênue entre sabedoria e sorte). Em contraponto, as burrices não precisam de tempo algum, podendo ser decididas em minutos ou anos; A vida é injusta, melhor nos acostumarmos logo com isso.
Se "errar é humano, mas persistir no erro é burrice" é a máxima que rege as escolhas pessoais, devemos perguntar: e se formos burros, estamos fadados ao fracasso eterno? Fim da linha, é isso? Claro que não. Há uma saída nova a cada segundo, sempre acompanhada por um preço que é diferente para cada um, tendo  seu valor estabelecido de acordo com as proporções do mal-feito, porém, infelizmente, nem sempre pode-se saldar a dívida - "arcar com as conseqüências", conhecem?
O conselho mais responsável diz que devemos baixar o topete, reconhecer o erro, retirar o discurso desenganado (pois um ser-humano feliz precisa ter a coerência de seus atos reconhecida por seus semelhantes) e sair à francesa, prestanto mais atenção numa próxima vez.
O conselho mais leviano diz que pouco importa a opinião daqueles que nos rodeiam se não são capazes de nos reconhecer como humanos comuns e medíocres, passivos a erros, e que, portanto, não precisamos nos preocupar tanto com a opinião alheia, escolhendo o que julgarmos mais adequado às nossas necessidades - doa a quem doer.
Quando o passo em falso prejudicou outros além do próprio maratonista tolo, bem, é claro que a história é outra - as tarifas são maiores, os ajustes mais sofridos, o ego acaba sendo ainda mais alvejado; Por mais que todos devam se responsabilizar por seus atos, ainda assim divide-se a culpa quando o passo foi dado em grupo, e se havia um líder, este será o grande sacrificado.
Pelo amor de Deus, não acredite em um mundo cor-de-rosa onde o arrependimento verdadeiro, vindo do coração, anula o erro, proporcionando o encantado e falso perdão eterno. Isso não existe! Seja este perdão a paz de espírito para consigo mesmo ou a compreensão e o apoio dos ludibriados que embarcaram em seu discurso; Não será perdoado senão pagar o preço, e não há choro que logre pena por sua alma.


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