quarta-feira, 30 de março de 2011

Tabefe.

Talvez seja pretensão minha falar sobre o assunto já que em todas as tentativas anteriores dei com os burros n'água (até hoje não me perdoo pelo péssimo texto sobre o Marcelo Dourado), mas como fiz isso ano passado, quero repetir a dose esse ano.
Numa edição onde poucos participantes brilharam, e com muitos deles tornando-se verdadeiras malas-sem-alça em rede nacional, era esperado um vencedor de pequeno porte, mas, nem por isso deixa de ser um vencedor importante. 
No começo do programa, escrevi um texto sobre a primeira eliminada (a Ariadna), demonstrando minha indignação com sua prematura saída - já que tinha um dos perfis que talvez mais fosse acrescentar ao programa (e por tabela, a todos os seus fiéis telespectadores); Na época eu pouco sabia sobre a moça, o que me fez defendê-la sem muita verdade, então fica a dica: se vai defender uma causa, conheça-a bem, para depois não ter que colocar o rabo entre as pernas numa errata. Fato é que Ariadna era sem graça, assim como os demais competidores.
Se não assisti ao programa o suficiente para falar com propriedade, como então dissertar sobre a vencedora? Acho que o meio mais produtivo deverá ser coerente à natureza do que gosto de escrever, então, vamos a ideologia de um jovem adulto limitado por sua avidez em querer um mundo menos idiota.
Todos estamos cansados de saber que o Brasil é um país retrógrado, limitado e, por vezes, extremamente hipócrita e preconceituoso. Os que vivem nas grandes cidades, como Rio de Janeiro e São Paulo, creem na ilusão de um país que corre em direção a uma visão menos parcial das coisas, esquecendo-se que nosso vasto território nacional é formado por cidades pequenas, com culturas regionais diferentes não abertas aos avanços do mundo moderno; A cultura nas grandes cidades se transformou muito nos últimos anos, mas isso não quer dizer que o Brasil esteja apto a considerar sua grande massa livre de preceitos antiquados, preconceitos inconsistentes e daqueles conhecidos e amados valores distorcidos.
A população torna-se culpada por sua ignorância quando, diante do conhecimento, escolhe permanecer nela, portanto, não digo que há má vontade por parte do brasileiro comum. Quando a ignorância é o meio comum, sendo percebida como problema apenas pelos que estão em outro patamar, ela nada mais é do que a realidade dos que não tiveram contato com um mundo mais amplo.
Pensando dessa forma, a cobrança em cima das grandes cidades acaba sendo muito maior, pois nelas temos o acesso correto às informações, a convivência com a diversidade humana e um pouco de cada cultura do país; Não há visão limitada que suporte viver com amplitude numa cidade como o Rio de Janeiro, por exemplo. Cedo ou tarde o ignorante vai perceber seu atraso em relação aos demais e, bem, por sobrevivência, vai se adaptar, ou então vai fechar-se à seus valores, destacando-se da maioria, perdendo território e seu lugar ao sol. Vale mais um cínico do que um "do contra" revoltado, todos sabemos.
Dentro dessa verdade, é muito angustiante encontrar pessoas que escolhem permanecer na ignorância por medo, mesmo tendo acesso a toda essa informação; Medo da mudança, presos a um passado que não voltará, percebendo-se como verdadeiros guardiões dos bons costumes, da moral e da família.
O que o Deputado Jair Bolsonaro tem a ver com a vitória de Maria? Tudo. Entendam que ele, como cidadão, tem todo o direito de expressar sua opinião, seja ela ofensiva ou não - essa liberdade é garantida por nossa constituição. O grande problema é que, por tratar-se de uma pessoa pública, fazendo parte do corpo docente responsável pela política no Brasil, sua opinião torna-se de extrema importância, sendo levada a ferro e fogo por muitos - algo como o pastor evangélico que prega coisas absurdas para uma multidão demente de pessoas desesperadas e assustadas. A esse tipo de pessoa, opinar torna-se incitar, é inevitável.
Suas atitudes são reprováveis, seus discursos são vergonhosos, seus valores são falsos e sua visão política é monstruosamente distorcida, unilateral e irreal. Não serve para fazer parte do grupo que pretende proteger o Brasil, incentivando seu crescimento e seu bem-estar, assim como não protege o interesse do povo e sim o de uma minoria que persiste em viver na ignorância. Deve ser tirado de seu posto com a valiosa lição de que "quem destoar ficará para trás"; É a ironia do preconceito que começa a perseguir quem antes o defendia. Ser preconceituoso por opção hoje em dia é o mesmo que um homem usando uma peça de roupa cor-de-rosa por preferência a cinquenta anos atrás.
Voltando a Maria... Garota de programa? Dizem todos que sim, nunca confirmei a informação porque, sinceramente, não faria diferença alguma em minha vida. Burra? Não. Ignorante, despreparada, limitada por uma realidade ilusória, como tantas outras meninas desse Brasil varonil. Sabe-se lá com que tipo de mundo ela teve contato, ninguém, além dela, pode justificar seus por quês.
Maria é o politicamente correto invertido, a antítese dos valores pregados pelos hipócritas; É a puta que se fez humana na televisão brasileira, provando que há mais coisas na vida de uma pessoa do que seus mal-feitos e defeitos. É a menina boba que de forte nada tinha, mas cativante por natureza, encontra abrigo por seu olhar húmido e infantil. É o brasileiro comum, cheio de sonhos, anseios, problemas, erros, incoerências; A imperfeição inerente ao ser humano presa a um corpo escultural.

Maria é bela. Maria é o tapa na cara do país sonhado por Bolsonaro.


"TCHUPLAF, TCHIPLEF". Um beijo pro Maurício, heh!


Parabéns, telespectadores brasileiros, por fugirem do óbvio.
Finalmente uma grata surpresa na final de um Big Brother Brasil.
Que o ano comece.

Eu deixaria meu filho casar com ela, mesmo com seu comportamento...
Quédizê.


OBS:
um amigo, que é advogado, leu o texto e me mandou isso pelo Twitter: 


"Querido adorei seu texto, só discordo de uma coisa como bom advogado! O deputado não tem direito de dizer o que disse porque a constituição apesar de prever a liberdade de expressão também prevê a liberdade de sexo, cor, raça e crença o que transforma os comentários do sr. deputado em ofensa a constituição e à ordem jurídica brasileira, além de ofender o código de ética!"



Então, né, gente? Vamos cortar o barato desse deputado cretino. Corre lá e assina a petição que pede a cassação de seu mandato:

http://www.change.org/petitions/petio-para-cassao-do-mandato-do-deputado-federal-jair-bolsonaro-pp-rj

BEIJOS.


3 comentários:

  1. Querido adorei seu texto, só discordo de uma coisa como bom advogado! O deputado não tem direito de dizer o que disse, pq a constituição apesar de prever a liberdade de expressão também prevê a liberdade de sexo, cor, raça e crença o que transforma os comentários do sr. deputado em ofensa a constituição e à ordem jurídica brasileira, além de ofender o código de ética!

    Mas fora isso curti mt!!!!!! By the way eu tb vi essa relação entre os dois ocorridos!

    Será que somos loucos ou fazemos analogias demais em nossas mentes conturbadas??? rs...

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  2. sou tão lindo que ia dizer exatemente a mesma coisa que o dani disse!
    hahahahaha

    meg melillo não foi criada segundo a boa prática da moral e bons costumes (não vou discutir promiscuidade pq ela não é negra), mas tai linda, cumcu chei dos dinheiros e dando um tapa na cara dessa gente.

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