quinta-feira, 28 de abril de 2011

28 minutos.

Foram precisos 1680 segundos para que ela me acalmasse. Engraçado o poder que certas avós têm sobre a gente, não é? Nunca foi segredo que sou louco por minhas duas avós, mas a grande verdade é que minha metade da laranja está na dona Ivana, a avó materna; Sinto desde sempre uma sintonia diferente, um canal a mais aberto entre nós.
Lembro que na minha adolescência, lá em 2002, ou 2003, ela vinha ao Rio com mais frequência, e acabava sendo sugada por um neto gorducho e carente; Os passeios pela Visconde de Pirajá, os doces na Chaika, os chás na Livraria da Travessa, os filmes água-com-açúcar, as divagações sobre essa vida mundana... Era tudo tão bucólico, uma nostalgia do presente, era... Mágico; Mary Poppins, se nunca te achei encantadora, culpe a dona Ivana.
Apesar de termos perdido o contato diário muito cedo (ela mudou-se para Minas quando eu ainda era criança), continuamos nos entendendo como se nos víssemos todos os dias; Posso ficar meses sem lhe falar ao telefone, um ano inteiro sem vê-la, não importa o tempo, estamos sempre no mesmo lugar, partimos do último ponto como se ele tivesse acontecido ontem.
Passei a última madrugada em claro, indisposto, sofrido, pensando na vida e nos becos nos quais fui parar sem perceber; Passe uma madrugada inteira pensando em problemas que, para cada hora a mais acordado, um problema novo é criado na sua imaginação, e problemas imaginários são mais perigosos que os reais, pois não têm causa e nem mesmo solução. Você sofre por sofrer, se desgasta por nada, pura e simples auto-sabotagem (depois da terapia, adotei esse termo para a vida). 
O fato é que, após uma noite virada por uma imaginação para lá de fértil e criativa, bastou passar vinte e oito minutos com ela ao telefone e pronto. Onde foi parar a crise? Cadê meus demônios? Voltem, queridos! Pronto, já foram embora. E ela me passou algum ensinamento valoroso para a vida? Não sei. Nunca sei. Não sei aonde nos encontramos, sei apenas que nunca nos perdemos.



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