segunda-feira, 18 de abril de 2011

Outro amor bandido, mas, dessa vez, ele é bíblico.

E você aí, todo feliz, jurando que na tradução "Bad Romance" virava "Romance Mau". É, não vira não. Desculpe-me por quebrar a ilusão, mas traduções literais quase nunca ficam boas."Romance Bandido" seria o mais adequando, aproximando o sentido; O sentido é mais importante do que a palavra, aprenda. Não, não, não, pode ir parando com o chilique e com as mil justificativas, e nem adianta procurar apoio na gramática para provar que pode ser "Romance Mau", porque a letra da música fala exatamente sobre um amor bandido, doente, um romance preso à luxúria, fadado à doença, intenso. 
Aliás, faz mesmo diferença discutir sobre tradução de sentido? Não, né? A música é de uma cantora americana e, se Deus quiser, nunca será traduzida e interpretada por uma cantora brasileira - já basta o soco no estômago que levei quando, ainda criança, ouvi a versão de "My Heart Will Go On" adaptada e cantada pela voz da meiga Sandy... Você tem alguma coisa contra ela? Então vai arder no inferno por não amar tal angelical criatura. Sabe quem vai estar lá com você, no colinho do capeta? A Lady Gaga. Dessa vez ela foi longe demais! Peraí, foi?

Estrábica? Oi?

Desde o lançamento, em algum dos últimos dias da semana passada, estou inquieto, me segurando para não escrever sobre "Judas", o último lançamento da cantora; Me segurando por dois motivos: falar sobre música Pop está virando assunto recorrente nesse blog, o que me incomoda bastante (pois não sou tão ligado assim nesse assunto) e porque criei o hábito de falar sobre músicas depois do lançamento de seus respectivos clipes. Mas "Judas" é de uma particularidade sem tamanho, não tinha como me segurar por muito tempo.
É notório o cansaço das pessoas com essa mania de querer chocar que a Lady Gaga vem cultivando desde... Sempre. Até eu que admiro o trabalho dela já estou ficando de saco cheio de tanta polêmica; No começo era legal, era divertido, aí veio "Alejandro" (com aquele clipe saído do lado mais obscuro da terra do mau-gosto), depois veio o fracasso de "Born This Way" (que se não tivesse sido comparada à "Express Yourself" da Madonna e não tivesse vindo depois de "Firework" da Katy Perry, com certeza teria colado muito mais)... Desventuras em série. Acho válida essa força de vontade dela em quebrar parâmetros, em incomodar os mais sisudos ao brincar com assuntos que (em pleno século XXI ainda) são tabus, mas, né? Uma coisa é esforçar, outra bem difente é forçar a barra.
Espero, do fundo do meu coração, que "Judas" seja a última música dela num longo período de lançamentos que se relacione à igreja e à religião; Se nem a Madonna, velha de guerra, convenceu naquela fase meio zen (Kaballah é meu c*), imaginem uma cantora que ainda está no terceiro álbum? Gaga, supere a antipatia pela igreja católica, o mundo, ou melhor, seu público não liga (mais) para esse assunto.
Outra coisa importante a ser falada, ou melhor, lembrada: ainda é uma cantora iniciante; Não importa  a quanto tempo ela lida com a música, o fato é que é famosa desde, sei lá, 2009. Ainda tem muito chão pela frente, muito o que dar ao mercado, ao público e aos fãs, aquela raça que eu amo tanto. Cobram uma maturidade profissional que, pelo tempo de carreira e pela pouca idade (25 anos e norte-americana, oi), nunca vai fazer jus às expectativas. Ela ainda vai errar muito até aprender qual é o tom certo para se manter estável - pois, sim, estabilidade é importante para esse tipo de artista, mesmo quando a idéia é arriscar; Só o seu início de carreira já lhe rendeu méritos históricos, vamos com calma agora.
Os que gostam dela de verdade (e não são cegos), fãs ou apenas simpatizantes, estão com medo desse novo álbum que está por vir (me incluam nesse grupo), e com razão, pois até agora foi um erro atrás do outro; Não, eu não concordo com isso, mas, se estou escrevendo um texto lúcido, não posso me deixar levar pelo meu gosto pessoal (que me fez amar essas duas músicas novas).
Com tudo isso, há ainda um outro elemento que com certeza vai atrapalhar a recepção desse material: o conhecido "haters gonna hate"; Se uma pessoa fez uma crítica irônica, mas com algum embasamento, ela vai sendo levada à frente, vai aumentando de proporção e torna-se um agente sabotador - o famoso "Maria vai com as outras". Ás vezes, a coisa é passada à frente apenas pelo prazer de falar mal. Culpa dessa era onde a informação se espalha como uma doença infecto-contagiosa, onde um chinês pode dar sua opinião sobre alguma coisa para um brasileiro com apenas um clique. Fora que hoje em dia todo mundo tem alguma coisa a dizer sobre todo e qualquer, e nem precisa ser informação útil (e na maior parte das vezes não é).
Bom, já disse tudo o que eu queria sobre essa cantora que eu tanto amo (os mais espertos vão entender isso como uma crítica construtiva e não como argumentos cegos ou uma busca pelo status de "Little Monster"), vamos então falar da música que é a premissa dessa publicação. 

Se nem a Madonna de "Like a Prayer" entendeu essa, imagina a gente?

É uma brincadeira. Muita gente se revoltou com uso de personagens bíblicos (Cristo e Judas) como metáforas para a mulher idiota e o homem cafajeste, mas não passa de uma brincadeira. Na verdade, lendo a letra da música com mais calma, comecei a ficar na dúvida se a mulher retratada é mesmo uma passiva que aceita as traições do homem que ama - outra mania cansativa da Lady Gaga: se iconizar como uma santa-pecadora-extremista.
Essa história de "Jesus é minha virtude e Judas é o demônio ao qual recorro" não é satanismo, minha gente. É óbvio demais para ser (o que talvez seja um truque, mas vamos deixar as teorias da conspiração para os religiosos irritadinhos). Como eu disse, a música toda é uma metáfora que pega emprestada a relação de Cristo com Judas, seu apóstolo traidor; Cristo continua amando Judas mesmo após a traição, e ainda o perdoa, assim como algumas mulheres que, cegas, santas ou não, passam por cima das puladas de cerca e da desonestidade de seus amados.
A batida da música é muito boa, o instrumental funciona bem e, apesar da letra ser bastante desconfortável (até para quem não é religioso), as rimas são boas; Voilè, temos mais uma música-chiclete direto da Haus Of Gaga - um lançamento perfeito para ser dançado nas boates da vida. Pode ser considerada também uma versão mais pesada de "Bad Romance", que provoca a vergonha alheia, mas, se você perder o preconceito e ignorar a moda de desacreditar o potencial da cantora, torna-se válida; Não é a melhor música que já ouviu na sua vida, mas também não é o maior lixo já lançado. Espera só você estar na pista de dança, com uns bons drinques na cabeça, para ver se não vai estar gritando que ainda ama Judas.
Para encerrar, levanto a seguinte questão: já pararam para pensar que o maior amor bandido da história é justamente o de Cristo por nós? Eu tinha desistido da humanidade antes mesmo de Judas negociar a história da Bíblia por alguns dobrões.

Eu heim.


Um comentário:

  1. letra fraca, refrão bobinho, batida igual a tudo que já cansamos de escutar por ai.
    se ela quis chocar alguém, melhor tentar de novo; pq nem o papa se sentiu ofendido.

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