quinta-feira, 26 de maio de 2011

Cimento.

Pelo ímpeto que me empurra ao desconhecido, trilho a estrada do talvez.
Cada vez mais à frente, numa locomoção estagnada.
Tudo de novo; Os acertos, já sem méritos, e os equívocos tão familiares.

Certeza não há.
Sobra insegurança, medo, pavor e cimento.
Uma estátua viva e sorridente, alma petrificada pelas técnicas da angústia.

Detalhada, delicada e soberba.
Levou anos para alcançar tamanha perfeição.
Ainda assim, não consegue disfarçar a pobreza de sua matéria-prima.

Quando o sorriso esculpido é percebido, se estilhaça.
A estátua desmorona, frágil como aparenta ser.
Obra mal construída.

Em seus cacos, sonhos perdidos.
Regras quebradas.
A frustração do que nunca conseguiu ser.

Força a água que vem do coração.
Coração falso.
Nenhuma gota.

O cimento permanece seco.
Lágrima alguma escorre pela face destruída.
Cimento não chora.




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