sábado, 14 de maio de 2011

Laranja.

Longa caminhada.
Estrada tortuosa.
Em espinhos me cortei.
Em pedras quentes eu dancei.
Da pele me desfiz,
em carne viva renasci.
Laranja.

Numa dança tonta,
desengonçada,
Levei o espetáculo nas costas.
Mantive as cortinas erguidas.
A platéia atenta.
A crítica surpresa.
Laranja.

Mudei o personagem ainda em cena.
De projeto para menino.
De menino para homem.
De homem para poesia.
Da poesia para a definição.
Guilherme.
Laranja.

O espírito livre se rendeu.
Prendeu-se ao chão.
Acordou do sonho em que escolheu viver.
Cansou de encantamento,
abriu mão da ilusão.
Deixou sua luz brilhar.
Laranja.

Baixou a cabeça,
abraçou seus defeitos,
ganhou qualidades
e venceu a guerra.
Guerra inventada.
Assumiu sua identidade.
Laranja.

Laranja eu sou.
Laranja para sempre.
Laranja com cheiro que fica.
Laranja ao som de musicais.
Laranja nada mecânica.
Laranja sorridente.
Laranja, e nada mais.





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