segunda-feira, 23 de maio de 2011

O salão que é só meu.

Farei essa breve pausa nas publicações aleatórias para fazer um desabafo que está na lista de espera já faz algum tempo. Na verdade, não sei bem se é um desabafo ou uma prestação de contas... Bem, entendam como acharem melhor.
Numa era onde todos podem expressar suas opiniões e disseminá-las para uma grande massa, ás vezes fica difícil manter um espaço como o Whatever Hall. Não leio livros, jornais ou revistas, mas considero-me um leitor por acompanhar alguns blogs e sites de notícias. Graças à esse hábito, soube desde o início que meu blog não decolaria ou tornaria-se popular; Ele não foi concebido para ser popular. 
Criei esse espaço para dar continuidade ao que já fazia no falecido Fotolog, mas sem a obrigação de publicar uma foto ou de contar alguma história pessoal (muito embora isso aqui esteja cheio delas), mantendo os pés no chão ao repetir, como um mantra, que "quase ninguém gosta das mesmas coisas que você, Guilherme", o que é bem uma verdade.Não me acho exclusivo, intelectual ou até mesmo cult, mas sei muito bem que o que me desperta interesse, o que me faz rir, não diz muita coisa para a maioria das pessoas.
Acompanho (religiosamente) aproximadamente cinco blogs, mas nenhum que tenha conteúdo propriamente sério; Todos cômicos, irônicos e bobos, mas é claro que, dentro de tanto humor descartável, vez ou outra aparece uma ou outra causa nobre - até quem perde os amigos para não perder as piadas faz vezes de pessoa centrada.
Por isso é difícil lidar com o Whatever Hall e todas as suas (e minhas) particularidades. Eu sei o que atrai as pessoas, recruta leitores e prende a atenção deles, o que me leva a crer que o que escrevo, produzo e publico, dificilmente cairá nas graças do povo para me render algum incentivo, alguma massagem ao ego; Escritores são narcizistas, ou seja: se não recebem retorno, crise existencial à vista com direito a drama digno do cinema catástrofe dos anos 70, acreditem. Não conclui a faculdade, nunca pensei em cursar letras, mas já me considero um escritor, ou melhor, sei que sou um escritor; Iniciante, inexperiente, aprendiz e pseudo-ignorante, mas um escritor. 
Luto para não adotar uma linguagem própria, algo facilmente identificável, mas sei que tenho minha marca registrada e meus temas favoritos. Essa luta é clara quando, de uma publicação para a outra, mudo abruptamente de linguajar - pulo do mais formal e certinho para o coloquial, virtual e usual. O lado positivo dessa luta é que acabo exercitando duas formas diferentes de escrever e de me comunicar (visíveis inclusive na minha fala), o lado negativo é o de ter um blog mutante; Ás vezes engraçado, leve, descontraído, de vez em quando introspectivo, profundo e sério, com um pouco de ranço e de dor. Essa inconstância é proposital, mas não quer dizer que nunca atrapalhe. O Whatever Hall trata-se do criador tentando entender a própria criatura, o que seria engraçado se não fosse estressante.
Não pretendo modificar o blog, suas características ou seus conceitos, mas isso só continuará enquanto eu alimentá-lo por amor (isso aqui é meu grande affair), pois à partir do momento em que eu me render à vaidade, bem... 
Por enquanto, pouco me importa se consigo no máximo setenta visitas em dias de publicação; A vida será longa enquanto eu quiser algo mais meu do que dos outros, mas se algum dia esse momento chegar, haverá apenas o fim. Nada mais.



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