quinta-feira, 28 de julho de 2011

Erótico.

No horizonte d'alma está a árvore da vergonha. Em suas delicadas flores espelhadas, fantasias íntimas e renegadas, escondidas daquele que as pode realizar. Ao ventar, sua folhagem dourada reproduz o som de tua própria voz a sussurrar obscenidades. De seus galhos e raízes escorre doce mel, o sabor do coração. 
Quando começar a despetalar suas flores, não terás mais como fugir. A árvore fará de ti o seu jardim; de teu cérebro, seu adubo; de teus ossos, sua base; de tua carne, sua terra; do que veem teus olhos, sua luz. Então, teu coração florescerá espelhado como as flores da vergonha. Sem teu controle cego, irás atender a cada capricho da árvore cheia de vontades; da prisão que é teu corpo, serão libertadas lascivas fantasias. Não vais resistir, te entregarás por completo. 
Um dia, quem sabe,  perceberás que tal árvore não passa da imagem de todos os teus desejos reprimidos por uma moral limitada. Quando acontecer, estarás livre até encontrar outra semente, até plantar outra árvore. E de novo. E de novo. E de novo. Até que morras. Contudo, nunca te esqueças que a vergonha não se repete, e é por isso que a primeira árvore é a mais importante; a vergonhosa árvore da inocência. Aproveite cada pétala.