sábado, 24 de setembro de 2011

Eu e as bonecas.

Davam bolas, carrinhos, aviõezinhos, tudo que se possa imaginar, mas nada agradava ao reizinho. No entanto, bastava colocá-lo frente a uma boneca, de qualquer tipo que fosse, e pronto: ele ficava encantado. Era um problema, era um drama... Quanta polêmica! 
Os mais velhos da família reprovavam, argumentavam dizendo que era "brinquedo de menina, não pode", o pai torcia o nariz e, com a sobrancelha levantada, permanecia quieto. A mãe, bem intencionada, tentava contornar a obsessão da criancinha dando-lhe brinquedos mais genéricos; Lego era outra coisa que sossegava os anseios lúdicos do reizinho, assim como Kinder Ovo, dentre outros.
A pequena majestade cresceu escondendo sua paixão pelas divas de plástico. Quando chegou a fase adulta, mais cara dura e cheio de protestos, chutou o pau da barraca; SEMPRE GOSTEI E SEMPRE VOU GOSTAR DE BONECAS, DANE-SE O QUE PENSAM VOCÊS. Assim feito, finalmente pôde colecioná-las em paz; é verdade que ele esconde esse gosto da incompreensão do pai e desvia dos tortos olhares da mãe, mas, de uma forma ou de outra, finalmente vive esse amor tão antigo.

Parece um estranho conto de fadas, não? Não? Poxa, para mim foi. O conto de fadas da minha vida, o amor impossível que me fez enfrentar dragões e toda a monstruosidade dos preconceitos adultos; fui piada no colégio, entre meus primos, fui muito sacaneado. Pior é saber que só passei por isso porque os pais  alimentavam esse sexismo lúdico, ou melhor, alimentam, porque ainda vejo essa separação idiota entre azul e rosa. 
Contudo, essa publicação não pretende ser um texto reflexivo sobre comportamento sócio-cultural. É apenas uma singela declaração de amor, e uma redenção para com duas figuras que me ajudaram a lidar com esse encantamento por bonecas.
Em 2006, quando eu estava aos tenros 18 anos (ai minha juventude), minha mãe, de brincadeira (ou não), me deu como presente do Dia das Crianças (reflitam), uma boneca da Ariel, a sereiazinha ruiva do clássico Disney, só porque, semanas antes, eu tinha comprado o príncipe Eric. Tive esse casal até uma crise de ciúmes da minha tiraninha; chegar em casa e encontrar tufos de cabelo vermelho espalhados pelo chão rendeu a Valentina um longo castigo embaixo da pia do banheiro.
Dona Rosana sempre estranhou esse meu gosto, digamos, peculiar. Tentava não alimentá-lo, mas também não gostava de me ver frustrado, por isso, desdobrou-se em mil para descobrir brinquedos que me divertissem igualmente. Quando viu que não tinha jeito, rendeu-se às minhas tão sinceras vontades e me deu uma boneca aqui, outra ali... Todas tiveram o mesmo final trágico: terminaram nuas e sem cabeça, perdidas em alguma gaveta do meu armário.
Uma outra figura da minha família também sempre se esforçou para me entender e, embora nunca tenha me dado uma boneca, me deixava brincar com todas as dela. Digo, nunca tinha me dado uma até hoje.
A mãe de minha mãe, vó Ivana, questionava meus pais e buscava de onde raios saia aquele meu tanto querer por bonecas. Já escrevi sobre ela por aqui, no texto "28 minutos", aliás... Opa, acho que já escrevi sobre minhas bonecas também... Dane-se, já me apeguei a esse texto para descartá-lo.
Todos que me conhecem sabem da minha paixão por "A Pequena Sereia", da Disney, assim como sabem do meu gosto por vilões; é claro que o vilão favorito está no meu filme favorito. Sou louco pela Bruxa do Mar, Úrsula, desde pequeno.
Ontem, conversando com minha avó, comentei sobre uma boneca dessa vilã, a única que tinha visto em toda a minha vida, que por acaso estava sendo vendida numa loja perto aqui de casa; eu juro que comentei por comentar, não tinha a menor pretensão de pedi-la (é uma boneca cara, daquelas que a criancinha pede em cartinha pro Papai Noel trazer em Dezembro).

JURO!


Dona Ivana foi a loja e comprou o raio da boneca.


Quédizê, não foi lá e a comprou, simplesmente, porque a boneca já estava esgotada... Esgotada na filial de Ipanema, pois na da Barra ainda restava uma única, encomenda abandonada. Em pouco mais de uma hora, comprou o melhor presente que ganhei esse ano. Minha cara ao abrir o pacote foi... Minha melhor amiga já gravou essa reação, peçam a ela que divulgue o video, vale cada segundo.
Voltei a ser criança, rasgando o embrulho de presente para me conter com a delicada embalagem dela; não adiantou, perdi minha paciência e destruí a desgraçada.
Eu, treze anos, uó...
E um Photoshop no meu olho vermelho de  rinite  maconha.
Se não me engano, e se bem me lembro, no outro texto que mencionei esse gosto, cheguei a listar todas as bonecas da minha coleção, não? Bom, se eu não me lembro, não é você ai que vai lembrar... Aliás, coragem, amigo, você ainda está lendo esse texto.
Tenho... dez, onze, doze ou treze (não lembro) bonecas, todas personagens de filmes da Disney; umas poucas eu comprei, outras tantas ganhei de uma vez só (numa caridosa doação de uma querida amiga). Minhas bonecas são lindas, gente... Só sinto pena por não ter onde colocá-las (por hora, repousam numa confortável gaveta ao lado da minha cama).
Levei anos para assumir isso, esse texto significa muito mais do que podem pensar... O problema antes era ser brinquedo de menina, o problema agora é um rapaz, aos 23, quase 24, anos, que coleciona bonecas. Sempre vou causar estranhamento, sempre serei questionado... Se bem que não sou questionado por isso há anos, mesmo quando exibi a coleção inteira na minha estante de filmes. Acho que já é hora d'eu entrar em paz com minha esquisitice, pois ela não incomoda mais a ninguém.
Antes de terminar, gostaria de deixar um momento #EUQUERO registrado... Apesar da Úrsula ser minha vilã favorita, sou vidrado em seu disfarce humano; Vanessa. Nunca fizeram uma boneca oficial dessa versão da Úrsula, o que é uma das minhas maiores frustrações. Pela internet é possível encontrar algumas hand-made muito boas.

Essa aqui virou
sonho de consumo.

Feita por essa pessoa aqui
http://swenj1.deviantart.com/

QUEM ME DER UMA VANESSA,
GANHA UM PEDIDO. 
DOU ATÉ MINHA ALMA, OK?
Negocio sexo também.

Quem sabe, dia desses, quando eu vencer a preguiça de tirar fotos decentes, não mostro minhas queridinhas aqui, não é? E se você está se perguntando se não estou meio velho para isso, dica: leia (ou releia) "O Pequeno Príncipe". Mesmo. Vai te fazer bem. E pense também nos seus gostos mais particulares... De perto, todos nós somos MUITO estranhos.

VALEU, VÓ!
PAI, ABSTRAI, OK?
BEIJ.




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