sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sorry, bitches.


IT'S FRIDAY,
FRIDAY,
GOTTA GET DOWN
ON FRIDAY!


terça-feira, 15 de maio de 2012

domingo, 13 de maio de 2012

Meu limbo.


Há tanto tempo não escrevo que já nem sei mais se o consigo fazer direito e isso me irrita. Não é nenhum segredo de que busco sempre uma perfeição inatingível em tudo aquilo que faço, o que em todos os casos faz-me desistir daquilo que persigo; pois sim, sou um incompetente, um eterno insatisfeito.
Parece que construí o Guilherme adulto de forma triste, não é? Sempre largando tudo pela metade, sempre frustrado e descrente daquilo que é capaz... Ora, chega de tanta baixa auto-estima, pois ao contrário do que você, caro leitor, possa estar pensando agora, não é  exatamente meu caso; o problema do Guilherme não é ser deprimido, inseguro ou verdadeiramente sem potencial, o problema dele é ser paradoxal - gênio e asno, rei e plebeu, bela e fera, herói e vilão, sempre aos extremos, sempre oposto a si mesmo, se auto-sabotando em busca da tal perfeição. 
Se o lado genial do Guilherme adulto colocasse para fora um terço daquilo que é capaz de fazer, comprometendo-se a levar tudo ao seu destino final, sem nenhuma modéstia, tenho certeza que ele me garantiria sustento e glória, reconhecimento e, não obstante, o maior ego do mundo. Mas, infelizmente, enquanto ele não resolver seu paradoxo para, por fim, torna-se apenas um dos lados da moeda (ou pelo menos virar menos essa maldita moeda), ele vai me manter exatamente onde estou. No limbo.
Eis meu limbo, um universo acalentador e atraente, que me seduz e me engessa de tal maneira que sair dele torna-se doloroso quando a estadia foi longa... Não existe lugar mais confortável nesse mundo do que o próprio mundo que criei para me defender daquilo que me desafia e me fere.
Impenetrável, meu limbo é como o paraíso, só que construído por mim e especialmente para mim. Vivi nesse limbo por toda minha vida, levando uma vida relativamente normal apenas nas aparências; um disfarce de gente que funcionou como uma defesa para a manutenção desse lugar utópico. Aí veio a perda da tal pecinha que mencionei num texto há uns dois anos atrás... sabiam que estou até hoje atrás dela? O problema é que nesse processo de busca, tentei usar a terapia como auxilio e o tiro acabou saindo pela culatra; perdi mais uma dezena de pecinhas.
O disfarce despencou, a defesa baixou e o mundo real entrou... foi como se uma bomba atômica explodisse dentro de mim. Tudo, absolutamente tudo aquilo que criei para meu conforto emocional simplesmente evaporou quando me confrontei comigo mesmo no espelho da terapia; a tal pecinha que ainda procuro não serve mais para nada, a quero apenas como recordação, uma forma de fazer as pazes com o passado que ainda não aceito muito bem.
Fui entrando aos poucos num processo de decadência difícil de engolir e de entender, culminando em outra explosão atômica: a síndrome do pânico. Acho que é a primeira vez que menciono esse problema de saúde que venho enfrentando desde meados de 2011... enfim, é isso, surtei quando vi o que estava fora do meu limbo.
Foram alguns meses tentando identificar o que estava acontecendo com meu corpo e mente, até que foi indicada a busca por um psiquiatra para um tratamento medicamentoso adequado. Em dezembro encontrei um pouco de paz com duas pílulas muito legais que comecei a tomar; é uma merda, mas atualmente meu equilíbrio mental depende de uma bolinha rosa e de outra branca, essa segunda somente em ocasiões especiais.
Depois de tantas desconstruções, explosões e surtos psicóticos, eis que acordo do pesadelo que vivi de Junho a Dezembro de 2011 e me deparo com a minha vida real... Se antes a coisa já não estava muito boa, agora ela está ainda pior. E volta o paradoxo: um lado diz que não preciso me preocupar, tudo o que está acontecendo é normal dentro do meu próprio contexto e fez-se necessário para que eu cresça, transformando meus problemas em propulsores para meu crescimento emocional, já o outro lado está gritando, desesperado, pedindo para que eu me mexa logo, antes que seja tarde demais. Exatamente no meio desse cabo de guerra, outro limbo ergueu-se e me abraçou;  construí novamente um local mágico e confortável, onde nada existe além do meu próprio umbigo.
Em verdade, esse novo limbo não me protege como o anterior; como disse o autor do "Conto da Caverna", uma vez que você sai da caverna, é impossível voltar a morar dentro dela - ainda que o retorno seja necessário para o processo de crescimento.
Estou angustiado, perdido, nervoso, irritadiço, mas certo de que meus problemas, em sua maioria, residem muito mais dentro dos limbos que criei do que no mundo real - ainda que viver na fantasia seja mais gostoso do que viver nessa realidade tão sensível e dura dos dias de hoje. O paradoxo e o limbo tornaram-se os maiores desafios da minha vida até agora; saio ou não da caverna? O Guilherme adulto responde:

- Você tem que sair desse lugar se quiser ser menino de verdade, mas, também, precisa correr? É claro que precisa, você já tem vinte e quatro anos! Se bem que muita gente só encontra seu caminho depois da juventude... Fica mais um pouquinho, brinca um pouco mais, mas corre, anda logo, porque o tempo está passando!

Então eu acendo outro cigarro, penteio mais uma boneca e procuro por mais um elemento real que possa entrar no meu mundinho. Qualquer dia desses deixo vocês me fazerem uma visita. Promessa.