quinta-feira, 5 de setembro de 2013

De dentro.


Um soluço.
Outro soluço.
Mais um soluço.
Dez goles seguidos de água.

Um soluço.
Outro soluço.
Mais um soluço.
Dez goles seguidos de água.

Um soluço.
Outro soluço.
Mais um soluço.
Dez goles seguidos de água.

Sinto então seus dedos acariciando-me o céu da boca.
Cerro os dentes na esperança de contê-lo,
enquanto ele os utiliza para afiar suas unhas.
Agonia.

Bastou um pensamento para que me esquecesse da guarda.
Sua mão saiu da minha boca e me agarrou os cabelos.
Com força, começou a puxá-lo, enquanto eu, apavorado, tentava me libertar.
Desespero.

Cravei-lhe no punho um garfo, esquecido sobre o criado mudo.
Soltou meus cabelos, e escorreu seu sangue por todo o meu rosto, por toda a minha roupa.
Aos poucos, o outro braço escorregou-me pelo céu da boca e saiu, arrancando-me os dentes, num rompante vingativo de fúria.

Com os dois punhos para fora, me puxava para dentro.
Para dentro de minha própria boca.
Resisti, lutei até onde pude, mas acabei por me entregar.
Me perdi para sempre dentro do meu eu, o labirinto sem fim.